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17 de junho de 2009
Uma abordagem equivocada da prostituição
 
Museu Toulouse-Lautrec, Albi
Desde o início do século XX a prostituição tem sido abordada no Brasil como um problema de saúde pública. De acordo com a psicóloga Luciene Jimenez, a situação é histórica. “A epidemia de sífilis foi o principal motivo para a criação de políticas de saúde para essa população. As ações estavam pautadas sobre o agente de transmissão da doença e não consideravam as pessoas envolvidas” aponta. Ela ainda ressalta que nos dias atuais, em relação à AIDS e prostituição acontece o mesmo viés regulamentarista dos tempos da sífilis. Na opinião da pesquisadora, falta espaço para a cidadania.

Luciene é psicóloga do Centro de Referência de DST/HIV da cidade de Diadema, na Grande São Paulo, e desenvolveu um estudo baseado na experiência de quatro anos de trabalho em campo e entrevistas com prostitutas e travestis da cidade. “As políticas de saúde vigentes contêm a epidemia e têm apresentado alguns resultados para barrar a transmissão do vírus, porém não de propiciar espaços para o exercício de cidadania e inclusão social destas pessoas.”

De acordo com a psicóloga, até maio de 2008, quando foi encerrada a pesquisa, a política de saúde colocada pelo Programa Nacional para profissionais do sexo estava centrada na prevenção de DST/HIV, compreendida como uma proposta de contenção da transmissão do vírus por meio da distribuição de insumos (camisinhas, gel lubrificante, folders, etc.) e do melhor acesso aos serviços de saúde. “Para ser uma política voltada para a questão da cidadania precisa de fluxos e parcerias que estão fora da saúde como educação, cultura, habitação, etc”, reflete Luciene.
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