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Universo feminino em debate

Arte e cinema ajudam a refletir sobre aspectos culturais da subjetividade contemporânea

maio de 2007
A sexualidade feminina está na raiz da psicanálise. As mulheres vitorianas, em sua relação sintomática com o corpo e a fala, foram decisivas para conduzir Freud em direção ao inconsciente. Facilitaram sua compreensão sobre trauma, histeria e fantasia.

“O feminino parece exigir sempre um repensar sobre os conceitos nos campos da metapsicologia (principalmente no que diz respeito à teoria das pulsões), da sexuação e da constituição da subjetividade”, diz a psicanalista Helena Albuquerque, que participa da comissão organizadora da II Jornada do Feminino, promovida pelo Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Durante o encontro, aberto ao público, psicanalistas discutirão- as transformações históricas e culturais da subjetividade feminina por meio da teoria e da clínica, do cinema e da arte contemporânea. O evento marca a comemoração dos 10 anos do grupo de trabalho e pesquisa “O feminino e o imaginário cultural contemporâneo”, do Departamento de Psicanálise do Instituto, coordenado por Silvia Leonor Alonso.

A aceleração do processo de emancipação da mulher, nos anos 60 e 70 pelo movimento feminista, aliada às crescentes conquistas tecnocientíficas, tem feito surgir novas formas de subjetivação e formação psíquica. O advento da pílula anticoncepcional, a reprodução assistida e as intervenções cirúrgicas no plano da estética, por exemplo, vêm colocando homens e mulheres diante de uma corporalidade bastante diversa daquela estudada por Freud. As clássicas cegueiras e paralisias histéricas deram lugar a outras formações sintomáticas: da precocidade da menarca, nas meninas, aos transtornos alimentares; da aceleração da adolescência ao prolongamento da juventude. E demandam dos psicanalistas um novo olhar sobre a clínica e a cultura. A proposta da jornada é colocar em pauta temas metapsicológicos, psicopatológicos e socioculturais do feminino, como o amor em tempos modernos; a homossexualidade feminina; as relações entre mãe e filha; a reprodução assistida; a estética da magreza e a anorexia; a menopausa. Além das mesas-redondas, o público poderá assistir, durante o evento, ao filme Gilete Azul, da psicanalista e documentarista Miriam Chnaiderman, seguido de debate.

II Jornada do Feminino – O feminino e o imaginário cultural contemporâneo. Dias 25 e 26 de maio, sexta, das 19h30 às 22h30, e sábado, das 9 h às 16 h. Instituto Sedes Sapientiae. Rua Ministro Godói, 1484, São Paulo, SP. Tel.: 3866-2730. R$ 50,00 para membros do Departamento e R$ 70,00 para demais interessados. www.sedes.org.br