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Ver imagens chocantes não ajuda fumantes compulsivos a abandonar cigarro

Inconscientemente o tabaco pode ser visto como forma de afastar ideia de finitude

dezembro de 2010
inca/divulgação
Em 2012, os Estados Unidos vão se unir a dezenas de outros países e estampar fotos de membros amputados, órgãos comprometidos e outras imagens chocantes em embalagens de cigarros. No Brasil, esse tipo de apelo já é veiculado desde 2004. Essa iniciativa se baseia em algumas pesquisas, que mostram que os fumantes acabariam se lembrando do risco que correm ao ver imagens de doenças induzidas pelo cigarro. Mas um novo estudo apresentado no encontro anual da Association for Psychological Science sugeriu que essa estratégia pode não produzir o efeito desejado. Para chegar a essa conclusão, o psicólogo Jamir Arndt, da Universidade de Missouri, analisou dois grupos de alunos – o primeiro fumava moderadamente e o segundo era compulsivo. Ele pediu que os voluntários respondessem alguns questionários com perguntas que induziam pensamentos que despertavam angústia, como reprovação em exames e até a própria morte. Em seguida, os pesquisadores ofereceram um cigarro aos voluntários e mediram o volume, o fluxo e a duração de cada tragada.


Os jovens que fumavam pouco realmente o fizeram com menor interesse. De acordo com pesquisador, os voluntários podem ter reagido à ideia de finitude tentando reduzir sua própria vulnerabilidade. Os estudantes que fumavam muito, porém, reagiram com mais compulsão. O pesquisador sugere que talvez, inconscientemente, esses fumantes tentavam dissipar o sentimento negativo com uma atividade prazerosa – o fumo. Embora a razão não tenha ficado clara, a descoberta sugere que o fator psicológico que envolve a dependência e a perspectiva da morte seja mais complexo do que se acreditava anteriormente. Assim, as advertências visuais nas embalagens de cigarros podem não estar surtindo o efeito desejado.