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Viagens pelo universo dos aromas

A mostra Nidus vitreo – Diário de cheiros leva o visitante a uma intensa experiência olfativa

fevereiro de 2011
Luciano Bogado/ divulgação
Obra Cheiro de Ninho: galhos gigantes de resina para despertar sensação de aconchego
Para uma pessoa, o odor de rosas pode trazer recordações ligadas a romances e momentos felizes. Para outra, é possível que esse mesmo aroma desperte lembranças pouco agradáveis, como a perda de um ente querido e seu funeral. Percebidos de diferentes formas, os cheiros nos introduzem em um território onde não há limites nem tempo: o da memória. A experiência olfativa pode ser vivida com toda a intensidade na mostra Nidus vitreo – Diário de cheiros, da artista plástica Josely Carvalho, em exibição no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

A autora pesquisou cheiros por dois anos, associando parte deles às emoções comumente apontadas durante testes que ela mesma realizou. As fragrâncias foram reproduzidas em laboratório e fixadas em instalações que se relacionam visual e auditivamente com elas. Uma réplica de ninho gigante com galhos de resina, por exemplo, exala um odor previamente identificado pela artista com o sentimento de aconchego – a escultura foi chamada de “cheiro de ninho” e inspirou o nome da mostra (nidus vitreo é “ninho de vidro” em latim).


Em outra sala, o odor de peixe estragado provoca os espectadores ao ser associado com imagens do vídeo Não posso cheirá-lo, sobre o acidente ambiental ocorrido em abril de 2010 no Golfo do México, o maior da história dos Estados Unidos, com milhões de litros de óleo despejados sobre as águas e morte da fauna marítima. “Há uma inversão dos espaços, dos papéis, dos sentidos. Da soma dessas sensações desencadeadas na memória pelas imagens e cheiros, revivemos algo adormecido, já vivido, que só a nós pertence”, diz a curadora da exposição, Laura Abreu.