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Visão eletrônica

Computadores geralmente superam o cérebro humano em velocidade de cálculo, mas nosso equipamento neural é muito mais competente que os modernos sistemas de inteligência artificial para outras tarefas, como no reconhecimento visual de objetos

abril de 2007
Antonio Nunes/123RF
Os computadores geralmente superam o cérebro humano em velocidade de cálculo. No entanto, para outras tarefas, como reconhecimento visual de objetos, nosso equipamento neural dá um banho de competência e deixa até os mais modernos sistemas de inteligência artifical no chinelo.

De fato, nossa percepção visual é tão ágil que não permite intervenção do pensamento consciente. Para estudar esse fenômeno, os neurocientistas costumam usar testes de categorização rápida, nos quais as pessoas devem indicar se um objeto está presente ou não numa imagem mostrada por curtíssimo tempo.

A novidade nessa área é o estudo feito pelo neurocientista Tomaso Poggio, do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), que acaba de ser publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Ele conseguiu projetar um modelo computacional que simula a forma como o cérebro humano categoriza a informação visual. Dado que o sistema é tão rápido quanto o ser humano e tende a cometer os mesmos erros, o pesquisador acha que ele pode reproduzir com certa fidelidade a organização real do sistema visual cerebral.
“Criamos um modelo que coleta uma notável quantidade de dados anatômicos e fisiológicos do córtex visual para depois procurar simular o que ocorre nos primeiros 100 milissegundos após o objeto ter sido avistado”, diz Poggio. “Esse é o primeiro modelo em condições de reproduzir o comportamento humano nesse tipo de tarefa.”

O estudo corrobora a hipótese de que a categorização rápida ocorre sem a intervenção consciente. Os resultados devem ajudar os cientistas a explorar os mecanismos de percepção visual, cognição e comportamento em distúrbios como autismo e esquizofrenia, além de contribuir para o desenvolvimento de novas próteses sensoriais.