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Milagres existem?

Na edição de maio Mente e Cérebro analisa como as capacidades mentais podem influir no processo de recuperação e cura

abril de 2011
Quem já acompanhou o sofrimento de um ente querido abatendo-se dia após dia sob o efeito devastador de uma doença grave certamente ansiou por um milagre – mesmo que, por princípio, não acreditasse nessa hipótese. É compreensível que, em situações extremas, as pessoas sonhem com a capacidade miraculosa de curar a si mesmas e aos outros, conferindo aos beneficiados possivelmente a mais preciosa das dádivas: a combinação de tempo e saúde. É justamente na obtenção desse resultado que milhares de pesquisadores têm trabalhado tanto nas últimas décadas, buscando uma interface entre ciência e religião – tema do artigo Em busca da cura, assunto de capa da edição de maio de Mente e Cérebro.


Uma pesquisa na qual voluntários foram acompanhados por médicos durante mais de 20 anos mostrou, por exemplo, que a crença em “uma força maior” pode estar relacionada à melhora das funções imunológicas e à longevidade. Mas nem sempre a associação é tão linear: segundo outro estudo, pacientes cardíacos que sabiam que devotos rezavam por eles, ficavam mais ansiosos e apresentavam mais complicações pós-operatórias que doentes nas mesmas condições que não tinha essa informação. Ao mesmo tempo, casos (raros, é bem verdade) de desaparecimento de sintomas de forma inexplicável intrigam especialistas e levam a pensar que existam configurações de aspectos variados – e ainda enigmáticos – que predisponham o organismo à recuperação. Milagre? Talvez. Mas se há 150 anos alguém dissesse que seria possível voar de um país para outro em poucas horas, cruzando o oceano, ou que você falaria com uma pessoa, em tempo real, por meio de um aparelhinho que cabe na palma da mão, talvez imaginasse que isso só seria possível como resultado da intervenção divina. Faz sentido pensar, portanto, que o milagre seja “uma intromissão do futuro no presente”. Ou um jeito de dar contorno à ignorância e forjar um pouco de conforto. Ainda assim – ou até por isso –, especialistas têm se empenhado tanto em entender por que razão, em alguns poucos casos, a capacidade de se recuperar de doenças graves desafia nosso conhecimento e em que medida a emoção e o cérebro participam desse processo.


Ainda nesta edição, um curioso artigo da autora Christiane Gelitz mostra que preferências estéticas (em relação a obras de arte, por exemplo) e culturais (músicas e programas de lazer) estão relacionadas a características de personalidade. Vários estudos atestam curiosas associações entre o gosto por pinturas surrealistas e o anseio por novidades ou o interesse por trilhas sonoras de filmes e a capacidade de se mostrar amável.


Em “Contágio Social”, o autor – jornalista e doutor em psicologia – mostra como, sem nos darmos conta, somos “contaminados” por opiniões e até sentimentos das pessoas com quem convivemos, mesmo que de maneira não tão próxima.


E mais: resenhas de livros recém-lançados e do filme O discurso do rei, vencedor do Oscar, na qual a psicanalista e fonoaudióloga Inês Tassinari analisa o fenômeno da gagueira tratado no cinema.

As revistas estarão nas bancas a partir de 29 de abril.