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Vozes e rostos dão a bebês noções de matemática

março de 2006
Crianças de 7 meses não falam nem conseguem fazer contas. Uma nova pesquisa, porém, mostra que os bebês têm noção abstrata dos números.

As neurocientistas Kerry Jordan e Elizabeth Brannon, da Universidade Duke, descobriram que macacos reso possuem habilidade natural para associar o número de vozes que escutam a uma certa quantidade de elementos. Ao escutar uma gravação com gritos de indivíduos da mesma espécie, os macacos optavam por olhar uma fotografia com o mesmo número de rostos. Se os macacos ouviam dois gritos escolhiam olhar uma fotografia com dois macacos em vez de três e vice versa. As pesquisadoras esperavam que o mesmo acontecesse com bebês humanos.

Estudos anteriores com crianças, no entanto, haviam produzido resultados ambíguos. Bebês treinados para ver dois objetos ao ouvir dois tons apresentavam padrões que contrariavam essa convenção, como ouvir dois tons e então olhar para três objetos. E embora conseguissem associar corretamente, em certo estudo, batidas de tambor a objetos domésticos, os esforços para repetir tais resultados fracassaram.

Jordan e Brannon argumentam que essas pesquisas continham falhas: o treinamento poderia distorcer as respostas, as tarefas eram muito difíceis, ou os objetos eram irrelevantes para um bebê.
Em seus estudos mais recentes, as pesquisadoras descobriram que os bebês passavam mais tempo observando vídeos em que o número de rostos humanos mostrados era igual ao número de sons presentes em uma trilha sonora simultânea. "Como resultado de nossas experiências, concluímos que os bebês demonstram uma percepção interna da idéia de \\`dois\\` e \\`três\\` separada dos sons e imagens, o que reflete, portanto, um processo interno de abstração", diz Brannon.

Os 20 bebês de 7 meses estudados passaram uma média de 22 segundos observando o vídeo apropriado, contra pouco mais de 14 segundos do errado. Isso representou 59,2% do tempo total de observação - quase exatamente a mesma percentagem de tempo que os macacos reso gastaram olhando para o vídeo com o número correto de macacos.

"Essa associação espontânea do número de sons e imagens sustenta a afirmação de que bebês humanos, adultos humanos e primatas não-humanos compartilham ao menos um sistema de representação numérica não-verbal", concluem as pesquisadores.