Reportagem
  
edição 175 - Agosto 2007
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Efeito Camaleão
Lesões no lobo frontal podem desencadear a síndrome de Zelig, distúrbio raro, em que pacientes assumem novas identidades em resposta a estímulos ambientais
por Daniela Ovadia
ESPELHO DAS EMOÇÕES
© SEBASTIAN KAULITZKI/DREAMSTIME
NEURÔNIOS-ESPELHO permitem adequação à personalidade alheia
O comportamento de identificação imposta pelo ambiente foi descrito pela primeira vez em 1986 pelo neurologista francês François Lhermitte. O indivíduo afetado por essa patologia adapta sua personalidade ao espaço onde se encontra e assume características da pessoa com quem conversa. O estímulo pode ser concreto (móveis, objetos etc.) ou partir de sinais apresentados pelo interlocutor. Na base deste distúrbio encontra-se uma lesão muito grave dos lóbulos frontais, em particular da área que governa o comportamento social do indivíduo e mantém a relação entre personalidade e ambiente, de modo que seja sempre coerente. Na prática, trata-se de um sistema que, dentro do cérebro, cria a identidade individual.

Evidências científicas indicam que esse comportamento pode ser atribuído a distúrbios em circuitos que governam a capacidade de empatia e a possibilidade de “sintonizar-se” com emoções do outro. Nesse processo encontramos os neurônios-espelho: na falta de freios inibidores provenientes dos lóbulos frontais, porém, o mecanismo especular tem a vantagem de provocar a perda da identidade pessoal em favor de uma contínua adequação à personalidade alheia.
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Daniela Ovadia é jornalista.– Tradução de Tatiana Fonseca Oliveira