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Reportagem |
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| edição 198 - Julho 2009 |
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| Geração celular |
| Mal podemos imaginar a vida dos adolescentes sem os telefones móveis: multifuncionais, eles servem como gravadores de música, central de comunicação, símbolo de status – cientistas estudam a relação dos jovens com esses aparelhos para compreender o comportamento de grupos e desvendar interesses |
| por Annete Schäfer |
[continuação]
Por mais importante que o celular se tenha tornado na vida da nova geração, não existe nenhum indício de que a comunicação por telefone substitua os encontros pessoais. Os programas com amigos são tão importantes hoje quanto antigamente, porém, além de se encontrar, eles permanecem em intenso contato eletrônico – e isso vale tanto para os amigos quanto para os casais. Na pesquisa de Döring expressões virtuais como “GDV” (gosto de você) e variantes “GMDV” (gosto muito de você) estão em primeiro lugar na lista das abreviações preferidas. A comunicação por escrito, para alguns, pode facilitar a demonstração de carinho e desejo. Na pesquisa britânica, feita pela internet, aqueles que se descreviam como socialmente tímidos ou solitários declararam que era mais fácil se expressar por mensagens curtas.
O advento do celular também mudou relacionamentos familiares e despertou controvérsias. Por um lado, existem questões bem práticas a ser relevadas, como o valor da conta no final do mês e a sensação que os adultos têm de não entender muito bem a necessidade dos filhos de usar tanto esses aparelhos. Por outro, o celular interfere na estrutura de poder entre pais e filhos. Na puberdade, o desejo parental de controle e a necessidade de liberdade dos adolescentes entram inevitavelmente em conflito. Isso acontece em todas as gerações – o celular, porém, modificou a forma como esses impasses são resolvidos. Assim, o limite entre estar em casa e estar fora torna-se confuso. Um jovem com celular próprio pode entrar em contato com seus amigos a qualquer momento e em qualquer lugar sem a interferência dos pais. E estes, por sua vez, podem participar mais intensamente da vida de seus filhos.
Com isso, o telefone móvel pode trazer vantagens para a relação familiar: para os jovens a independência aumenta, em comparação com as gerações anteriores. Em um estudo desenvolvido na Bélgica, por exemplo, os estudiosos perguntaram a aproximadamente 2.550 jovens – metade com 13 e a outra com 16 anos – com que frequência eram despertados de madrugada por mensagens SMS. Entre os mais novos, quase 14% declarou que isso acontecia de uma a sete vezes por semana. Entre os mais velhos esse número chegou a 23%. Os pais podem não ficar muito entusiasmados com as atividades noturnas de seus filhos, mas a maioria gosta do fato de ter um número em que pode encontrá-los. Para eles, o celular oferece a possibilidade – e, em alguns casos, a ilusão – de exercer controle a distância sobre seus filhos.
A possibilidade de cuidados a distância pode fazer com que os pais concedam maior liberdade aos filhos, como demonstrou um estudo britânico. O sociólogo Stephen Williams, da Universidade de Glamorgan, no País de Gales, perguntou para 25 adolescentes, com idade entre 15 e 16 anos, e a seus pais, sobre o papel do telefone móvel nas negociações sobre o direito de sair de casa para compromissos sociais. Especializado no estudo de famílias, ele descobriu que os adultos mostram-se dispostos a deixar os filhos saírem por mais tempo e irem mais longe, desde que liguem regularmente e atendam sempre ao chamado dos pais. O acordo parece útil para os dois lados: garante maior segurança aos pais e, aos adolescentes, mais liberdade. Porém, existe um problema: alguns pais se desesperam se por algum motivo não conseguem encontrar seus filhos. E há adolescentes que ficam envergonhados por receberem telefonemas dos pais na presença dos amigos. |
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PARA CONHECER MAIS Moving Culture. Mobile Communication in Everyday Life. A. Caron, L. Caronia, Mc-Gill-Queen’s University Press, Montreal, 2007. |
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| Annete Schäfer é economista, psicóloga e jornalista. |
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