Reportagem
  
edição 172 - Maio 2007
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No limite da vida
De onde vêm as estranhas imagens e sensações de “transição para o Além”? Pesquisadores acreditam que, ao se defrontar com o próprio fim, nosso cérebro recorre a estratégias de defesa, produzindo sensações que tornam esse momento menos assustador
por Detlef B. Linke
O que vem depois
Os questionamentos sobre o que espera o homem após a morte são tão antigos quanto a própria humanidade. Cada uma das grandes religiões universais desenvolveu seu próprio conceito do Além. Para as três grandes crenças monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – a morte é definitiva. Isso significa que, depois dela, a vida já não pode continuar na Terra.

No judaísmo arcaico, a idéia do Além ainda não tinha um papel central. O ideal de vida dos homens consistia em viver plenamente, em comunhão com Deus – e morrer. Somente mais tarde surgiram questões sobre a existência de uma justiça compensadora – pois claramente nem todos os homens recebiam ainda em vida a recompensa ou a punição de Deus por seus atos. A expectativa da vinda do Messias resolveu o conflito, disseminando a esperança de um futuro rei pacificador que construirá o seu reino paradi-síaco ainda na Terra. Os judeus esperam a ressurreição dos mortos somente após esse advento. Nesse ponto, as opiniões se dividem: enquanto alguns partem do princípio de que apenas os justos se livrarão de sua sofrida existência como sombras no mundo dos mortos, outros acreditam que, no princípio, todos os mortos serão ressuscitados para então receberem sua justa punição no Juízo Final – na pior das hipóteses, eles serão lançados no vazio eterno.

Para os cristãos, a Páscoa tem papel central: Jesus morreu na cruz pelos pecados dos homens, mas retornou do mundo dos mortos – como prova da vida eterna que espera os que têm fé. A isso se acrescentam imagens do inferno e do purgatório, que teria também função purificadora. Para o futuro se espera a volta de Jesus, que irá fundar o reino da paz na Terra, após o Juízo Final. Depois dele, os fiéis entrarão na eternidade dos Céus.

Já na crença islâmica o falecido é imediatamente confrontado com seus bons e maus atos e recebe uma sentença provisória que lhe indica o que o espera no dia do Juízo, após a chegada do Messias: o paraíso ou o inferno. O período de permanência em suplício para muçulmanos que pecaram, mas se arrependeram, é limitado. Até a “audiência final”, os mortos descansam em uma espécie de estágio intermediário, do qual existem diversas descrições. Profetas e mártires são exceção: vão direto para o paraíso.
De forma completamente oposta a essas três doutrinas religiosas, a morte não tem nada de definitivo para as duas religiões orientais universais, o hinduísmo e o budismo. Ela é ponto de partida para o renascimento na Terra com uma outra forma. Para o hinduísmo, o renascimento pode ocorrer tanto em uma forma positiva de existência – como homem ou animal – quanto em uma existência sofredora em um dos vários infernos do Além, no reino do deus da morte, Yama. O objetivo do hindu religioso é escapar do eterno ciclo de morte e renascimento e chegar a um dos paraísos divinos. Budistas também anseiam por abandonar o ciclo de renascimento – mas admitem saber pouco sobre o local para onde vão após a morte. O nirvana (ou a iluminação, segundo os antigos textos da doutrina) não é compreendido pela razão. E, nesse caso, admitir ignorância pode ser um passo em direção à sabedoria.

Por Stefanie Reinberger
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