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Reportagem |
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| edição 172 - Maio 2007 |
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| No limite da vida |
| De onde vêm as estranhas imagens e sensações de “transição para o Além”? Pesquisadores acreditam que, ao se defrontar com o próprio fim, nosso cérebro recorre a estratégias de defesa, produzindo sensações que tornam esse momento menos assustador |
| por Detlef B. Linke |
[continuação]
Experiências de quase-morte não surgem apenas como conseqüência do esvaziamento dos mecanismos de previsão de futuro, pelo fato de o futuro e o presente se fundirem repentinamente. Mas nessas condições podem ser notados no cérebro processos especiais que em geral ocorrem como pano de fundo e vêm à tona em situações de exceção.
Aparentemente, células cerebrais que utilizam os chamados receptores glutamatérgicos ionotrópicos, do tipo NMDA, para a transmissão de sinais neurológicos desempenham papel importante nesses casos. O psiquiatra Karl L. R. Jansen, do Hospital Maudsley, de Londres, chegou a essa conclusão com base em uma descoberta: os receptores NMDA reagem de maneira mais intensa durante anestesia por cetamina – droga derivada do cloridrato de fenciclidina, desenvolvida nos Estados Unidos; na década de 60, quando foi lançada, muitos jovens a utilizaram como alucinógeno.
Pacientes que recebem doses do anestésico freqüentemente vivenciam experiências muito semelhantes às de quase-morte. Mas os receptores não são influenciados apenas pelo anestésico. A falta de oxigênio, muito freqüente durante experiências de quase-morte, também pode exercer efeito sobre os receptores através de substâncias mensageiras – principalmente do monóxido de nitrogênio.
O que predestina os receptores NMDA a desempenhar papel especial durante as experiências de quase-morte? A resposta está em seu funcionamento incomum: eles se tornam ativos quando as atividades elétricas de diferentes regiões- cerebrais confluem para seus neurônios. Quando isso ocorre, a sucessão de atividades neurais pode se dar em um ritmo relativamente lento segundo os padrões usuais das células nervosas, já que os receptores NMDA trabalham muito mais devagar do que outros sistemas de transmissores-receptores. Dessa forma, elas conseguem correlacionar uma série inteira de acontecimentos e são capazes de alterar o ritmo usual do cérebro. Aqui poderia estar a explicação para o fato de a memória ser invadida por um excesso de lembranças do passado durante experiências de quase-morte – sensibilizados, os receptores NMDA processam resumidamente inúmeras informações. O modelo baseado nesse tipo de receptor faz a conexão entre os fenômenos que ocorrem no consciente da pessoa que está próxima da morte e processos que se passam em seu cérebro. |
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