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Reportagem |
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| edição 172 - Maio 2007 |
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| No limite da vida |
| De onde vêm as estranhas imagens e sensações de “transição para o Além”? Pesquisadores acreditam que, ao se defrontar com o próprio fim, nosso cérebro recorre a estratégias de defesa, produzindo sensações que tornam esse momento menos assustador |
| por Detlef B. Linke |
[continuação]
Flutuando no hospital
Até mesmo as “experiências extra-corporais” (a sensação de sair do próprio corpo) podem ser explicadas fisiologicamente. Não é incomum “nos vermos” de uma perspectiva externa. Quando pedimos às pessoas que se lembrem de alguma vez em que estiveram em uma piscina, por exemplo, muitas descrevem a cena como se vissem a si mesmas na água. Em sua memória, portanto, elas se observam de uma perspectiva irreal, ou seja, de longe.
Somos treinados culturalmente a considerar a visão de imagens internas da perspectiva dos próprios olhos. Mas os centros cerebrais que rotineiramente trabalham com múltiplas abordagens têm a capacidade de elaborar uma representação mental do próprio indivíduo com base no olhar externo. Em situações de necessidade, o sistema nervoso se lembra de alternativas e recorre a esses registros. Uma das influências mais importantes sobre as diferentes visões – reais ou imaginárias – que se pode ter de si mesmo certamente se deve à retratação das figuras em perspectiva, comuns desde a Renascença. Experiências extracorporais, no entanto, também podem ser provocadas artificialmente.
O neurologista suíço Olaf Blanke e sua equipe do Hospital Universitário de Genebra prepararam uma operação na qual um foco de epilepsia deveria ser removido do lobo temporal do córtex de uma paciente. Para tanto, vários pontos do cérebro foram estimulados por finos eletrodos para que fosse possível reconhecer as principais regiões cerebrais. Quando os médicos aplicaram uma leve corrente elétrica no chamado giro angular do hemisfério cerebral direito, a mulher disse ter a sensação de estar afundando ou caindo. Com uma corrente mais forte, experimentou uma sensação de leveza – parecia flutuar dois metros acima da cama e, do alto, olhava para o seu corpo deitado.
Para Blanke e outros neurologistas não há dúvida: esse tipo de experiências “extracorpórea” está fundamentada no funcionamento cerebral. Da mesma forma, durante experiências de quase-morte determinadas regiões são ativadas pela colisão de tempos – e provavelmente também pela falta de oxigênio. Tudo indica que certas sensações experimentadas nessas circunstâncias já existam em nosso cérebro – mas para serem usadas em vida e não como visão do Além. |
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