Reportagem
  
edição 171 - Abril 2007
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O Louro sabe das coisas
Os papagaios estão se livrando do estigma de imitadores. Cientistas já reconhecem que a inteligência dessas aves é comparável à dos golfinhos e chimpanzés
por Christine Scholtyssex
© WILLIAM MUÑOZ
PAPAGAIO ALEX, com psicóloga Irene Pepperberg: animal interpreta questão eidentifi ca categorias antes de responder à pesquisadora
[continuação]

A sessão funciona da seguinte forma: numa pequena mesa com vários objetos, há dois treinadores sentados em lados opostos e no meio deles, um papagaio. O treinador pega um objeto, mostra-o ao outro e pergunta: “O que é isto?”. O parceiro responde: “Bola. É uma bola”. Então o treinador no 1 elogia o segundo e, como recompensa, lhe dá a bola. Algumas vezes, porém, o treinador no 2 responde deliberadamente de forma incorreta, dizendo, por exemplo, “é um prendedor de roupa”. O primeiro o reprova e retira o objeto de seu campo de visão por alguns minutos.

Em pouco tempo o papagaio está apto a participar do jogo. É recompensado ou repreendido pelos treinadores conforme as respostas que dá. Quando acerta, pode brincar com o objeto por um tempo. Nesse método, o segundo treinador é, para o papagaio, tanto modelo como rival na disputa pela atenção do treinador no 1. Depois de aprender algumas palavras, o pássaro já pode assumir o papel do treinador no 2 e ensinar outros papagaios.

Depois de 30 anos de treinamento, um papagaio cinza chamado Alex, o primeiro estudado por Pepperberg, adquiriu um respeitável vocabulário, que ainda pode ser ampliado, já que alguns espécimes vivem mais de 60 anos. Alex conhece o nome de 50 objetos, sete cores, cinco formas geométricas, sete materiais, seis números e até alguns verbos.

Vocabulário amplo, porém, não é evidência de funções cognitivas superiores, apenas de boa memória. O que importa saber é se o bicho consegue entender o que está dizendo. Para isso Pepperberg submeteu Alex e três outros papagaios treinados em laboratório a vários experimentos. Os resultados obtidos até agora não deixam dúvida de que as aves compreendem o significado isolado de palavras individuais e são dotadas de algumas capacidades cognitivas superiores.
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Christine Scholtyssex É bióloga e jornalista. - Tradução de Marcel Crovelli