Reportagem
  
edição 171 - Abril 2007
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O Louro sabe das coisas
Os papagaios estão se livrando do estigma de imitadores. Cientistas já reconhecem que a inteligência dessas aves é comparável à dos golfinhos e chimpanzés
por Christine Scholtyssex
[continuação]

Os papagaios de Pepperberg não se cansam de surpreender a comunidade científica com suas habilidades. E Alex, que é o mais velho, é também o mais inteligente. Já inventou vários termos novos para descrever objetos, como quando devia aprender o termo “maçã”. Nessa época, Alex já havia aprendido os nomes de várias frutas, como banana, cereja e uva. Já havia experimentado maçãs, mas nada lhe fora ensinado sobre elas. Certo dia o treinador pegou uma maçã e perguntou “o que é isto?”. Ele respondeu: “baneja” e deu uma bicada na fruta. Foi corrigido e ouviu “maçã” várias vezes, mas insistia em “baneja”, usando a mesma entonação cuidadosa que o treinador costumava empregar sempre que apresentava um termo novo. Para Alex, as maçãs sempre serão banejas e ninguém jamais saberá ao certo o que ocorreu em seu cérebro quando ele cunhou o termo. Papperberg acha que ele combinou duas palavras conhecidas, “banana” e “cereja”. Talvez as maçãs tenham, para ele, sabor semelhante ao da banana e qualquer fruta com a casca vermelha se pareça com uma grande cereja. “Que cor?” foi a primeira coisa dita por Alex quando ele se viu no espelho pela primeira vez. Estava cansado de ouvir a mesma pergunta, sempre relacionada a objetos coloridos. Isso deixa claro que ele não só compreendeu o conceito de cor, mas que é capaz de usá-lo em situações novas. Surpresa, a psicóloga respondeu: “Cinza, você é um papagaio cinza”. Alex repetiu a mesma pergunta mais cinco vezes e recebeu a mesma resposta. Desde então, “cinza” passou a fazer parte de seu vocabulário.

Os exemplos mencionados são evidências incontestáveis de que os papagaios – e provavelmente várias outras aves – não agem apenas por instinto. Eles são dotados de extraordinária memória e entendem relações complexas. Além de aprender um complicado sistema de comunicação, têm vida social intensa e são muito curiosos. A inteligência que demonstram é comparável à dos primatas e golfinhos e, em algumas situações, até superior. Eles se saíram bem em testes mais exigentes que os aplicados aos mamíferos.

A vida longa dos papagaios permite que estudos de longo prazo sejam feitos. Atualmente os papagaios de Pepperberg estão aprendendo a pronunciar o som das letras e a usar um computador desenvolvido especialmente para eles. Talvez um dia tenham seu próprio site na internet e conversem conosco por e-mail.
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Christine Scholtyssex É bióloga e jornalista. - Tradução de Marcel Crovelli