Reportagem
  
edição 171 - Abril 2007
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O Louro sabe das coisas
Os papagaios estão se livrando do estigma de imitadores. Cientistas já reconhecem que a inteligência dessas aves é comparável à dos golfinhos e chimpanzés
por Christine Scholtyssex
INTELIGÊNCIA SELVAGEM
© PRADEEP KUMAR SAXENA/123RF
Alex e seus amigos realizam façanhas mentais impressionantes, mas já viveram muito tempo no cativeiro e receberam muitos estímulos. Que dizer dos papagaios silvestres? A ordem dos psitaciformes, à qual pertencem, inclui diversas espécies de vida longa: os periquitos australianos vivem entre dez e 15 anos e as araras podem passar dos 50 anos. Boa memória é essencial, pois os pássaros precisam lembrar o local das diferentes fontes de água e de alimento, bem como dos ninhos e dos companheiros. A longevidade significa também que eles presenciam grandes mudanças ambientais, como cheias e secas. Para sobreviver, é preciso certo grau de flexibilidade mental, sendo necessário lembrar experiências anteriores para se adaptar a novas situações.

Quase todos os papagaios vivem em bandos cuja estrutura se assemelha à dos grupos de primatas, o que exige um alto nível de inteligência social. As aves têm de ser capazes de distinguir entre muitos indivíduos e interagir de forma apropriada, com base em experiências prévias. Como os casais humanos, os de papagaios passam bom tempo juntos mesmo quando não estão cuidando dos filhotes. Em algumas espécies, o par pode até aprender a cantar junto, formando um dueto em que cada indivíduo emite notas para o outro.

O uso de ferramentas também foi observado em várias espécies de aves. Para marcar território, os periquitos machos mordem galhos e os batem no tronco das árvores. Outras espécies usam ramos secos e pedras pequenas para afugentar aves predadoras. A manipulação de objetos, como pedaços de madeira e sementes, também é usada pelos mais jovens para explorar o meio e aprender comportamentos sociais, isto é, os pequenos papagaios também gostam de brincar. E é muito provável que eles sejam capazes de aprender ao longo de toda a vida, ampliando constantemente seu baú de experiências.
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Christine Scholtyssex É bióloga e jornalista. - Tradução de Marcel Crovelli