Reportagem
  
edição 192 - Janeiro 2009
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Sem preconceitos
Observadas em todo reino animal e mais freqüentes entre espécimes em cativeiro, relações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo podem ser uma forma de aliviar o stress, dissipar tensões sociais e obter ajuda para proteger os filhotes
por Emily V. Driscoll
© PAULINE S MILLS/ISTOCKPHOTO
Entre ostraceiros selvagens, são comuns os triângulos (com dois machos), o que aumenta a chance de sobrevivência dos filhotes
[continuação]

Mais recentemente, alguns pesquisadores chegaram a conclusões semelhantes ao estudar macacos bonobos. Pelo menos metade das relações sexuais destes primatas (muito promíscuos, por sinal) são com parceiros do mesmo sexo. As fêmeas costumam esfregar os órgãos genitais umas nas outras com tanta freqüência que alguns cientistas sugeriram que sua genitália deve ter evoluído para facilitar esse contato. “O clitóris delas localiza-se frontalmente, talvez porque a seleção tenha favorecido uma posição que tornasse mais intensa a estimulação durante a fricção”, escreveu a ecologista comportamental Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia em Riverside, no livro Sexual selections – what we can and can’t learn about sex from animals, de 2002. Já os machos de bonobo foram observados montando e acariciando uns aos outros, bem como fazendo sexo oral.

No livro Bonobo – The forgotten ape, o primatólogo Frans de Waal conta que quando uma fêmea ataca uma jovem e a mãe desta última vem em sua defesa, o problema pode ser resolvido por intenso esfregamento de genitais entre as duas adultas. De Waal observou centenas de casos como esse, sugerindo que relações homossexuais sejam uma estratégia geral para manter a paz. “Quanto mais comum a prática homossexual, mais pacífica é a espécie”, afirma o biólogo Petter Bockman, do Museu de História Natural da Universidade de Oslo, Noruega. “Os bonobos, por exemplo, são muito pacíficos”, sustenta. Tais atos parecem ser tão essenciais para a socialização dos bonobos que constituem um rito de passagem das jovens fêmeas para a idade adulta. Esses animais vivem em grupos de cerca de 60 indivíduos, num sistema matriarcal. As fêmeas deixam o clã durante a adolescência e são admitidas em outro, onde são cuidadas por fêmeas com quem têm encontros sexuais. Esses comportamentos criam laços sociais e dão às novatas benefícios como proteção e comida.

CASOS DE POLIGAMIA
Em algumas espécie de pássaros, as uniões do mesmo sexo, em particular entre machos, podem ter evoluído como uma estratégia de cuidado dos filhotes para aumentar sua taxa de sobrevivência. “Entre os cisnes negros, se dois machos se encontram e fazem um ninho, eles podem ser mais bem-sucedidos para criar um órfão porque são maiores e mais fortes do que um macho e uma fêmea com uma cria biológica”, diz Bockman.
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Emily V. Driscoll é jornalista especializada em ciência.