Reportagem
  
edição 192 - Janeiro 2009
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Sem preconceitos
Observadas em todo reino animal e mais freqüentes entre espécimes em cativeiro, relações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo podem ser uma forma de aliviar o stress, dissipar tensões sociais e obter ajuda para proteger os filhotes
por Emily V. Driscoll
[continuação]

A cópula homossexual é bem mais rara em rebanhos selvagens, afirma Phillips, baseado numa pesquisa com gauros (espécie de boi selvagem asiático) na Malásia.

Tanto o stress como a maior disponibilidade também de parceiros do mesmo sexo são fatores que aumentam as relações homossexuais entre seres humanos quando restritos a lugares como quartéis, prisões e ambientes esportivos. Um estudo publicado em 2008 no periódico Sex Roles mostrou que de 40% a 49% de ex-jogadores de futebol americano heterossexuais tiveram ao menos uma relação homossexual, o que pode ter incluído beijos, sexo oral ou encontros a três (com mais uma mulher). “A homossexualidade parece aumentar a coesão dessas equipes”, afirma Anderson.

Nas últimas décadas, vários zoológicos do mundo estão tentando minimizar o stress do cativeiro tornando as áreas cercadas mais parecidas com os habitats naturais das espécies. Há 50 anos, os animais viviam em jaulas sufocantes, mas desde os anos 70 esses ambientes vêm mudando, as grades vêm sendo evitadas, plantas fazem parte dos espaços, hoje mais amplos e hospitaleiros pesquisadores esperam que essas melhorias afetem o comportamento dos animais, tornando-o mais parecido com o que ocorre na natureza. Um possível sinal das condições menos estressantes pode ser uma taxa de homossexualidade mais semelhante à dos membros selvagens da mesma espécie.

Algumas correntes de pesquisa e militantes de movimentos em defesa dos direitos de homossexuais, no entanto, contestam a noção de que mantenedores de zoológicos devem prevenir ou desencorajar o comportamento homoerótico dos animais de que cuidam. Para alguns especialistas, os seres humanos, assim como outros animais, são naturalmente bissexuais.“A homossexualidade está misturada com a heterossexualidade em várias culturas e ao longo da história”, defende Roughgarden. Até mesmo Silo, o pingüim que durante seis anos viveu em comunhão com Roy, mostrou essa versatilidade. Em um belo dia da primavera de 2004, uma fêmea chamada Scrapp, recém-chegada do SeaWorld de San Diego, arrebatou seu coração. Ele então abandonou Roy. Já Tango, a “filha” deles, escolheu outra fêmea, Tazuni, para compartilhar a vida. (Tradução de Júlio Oliveira).
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Emily V. Driscoll é jornalista especializada em ciência.