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  6/11/2002

   

   

   






Emprego

Guia prático de fusões e aquisições

Você já pensou na hipótese de sua empresa se fundir com a concorrente? O pessoal da Sadia e da Perdigão, anda pensando nisso. O estímulo para isso veio do anúncio de que as duas empresas estão juntando forças para atuar no mercado externo. Se existem negociações para uma união também no mercado interno, ainda são secretas. Mas pode ser que um dia elas façam como a Brahma e Antarctica e se tornem a Ambev da salsicha. A exemplo de Sadia e Perdigão, Brahma e Antarctica eram arqui-rivais, mas preferiram jogar no mesmo time e se tornaram a 3ª maior cervejaria do mundo. Há muitos exemplos de fusões internacionais, como a AOL/Time Warner, Daimler/Chrysler, Exxon/Mobil e Citicorp/ Travelers. Assim como as companhias estrangeiras, as brasileiras estão percebendo que a fusão é a maneira mais rápida de ganhar em escala e mercado, para competir na globalização. Prepare-se porque a próxima pode ser a sua. Não é fácil sobreviver a uma fusão. Os cortes de pessoal são (quase) inevitáveis num processo como esse. Por isso, o profissional preparar-se para enfrentar essa situação. Embora o comportamento mais adequado numa mudança não seja uma ciência exata, separamos bons conselhos para você seguir em caso de fusão.

1- Evite a rádio boato e os corredores da mentira

A falta de informação é normal em processos como esses. Mas vale a pena não dar crédito aos boatos de corredor. Em vez disso, procure informações sobre a nova empresa, sobre o futuro parceiro e as novas estratégias e valores organizacionais. Converse com seu chefe e apoie-se apenas em fatos concretos.

2 - Não seja o advogado do diabo o tempo inteiro

Atenção: uma postura contrária demais à fusão pode levá-lo a demissão. Se duas empresas investem milhões em uma operação complexa, elas não vão querer alguém que torça para dar tudo errado. No lugar de reclamar, observe as oportunidades que uma fusão ou aquisição pode oferecer.

3 - Adote uma postura pró-ativa

Não fique esperando as coisas caírem do céu. Coloque-se à disposição para ajudar e demonstre interesse em aprender. Você só tem a ganhar. Esse é um momento em que as diretorias estão preocupadas em como fazer melhor juntas o que faziam separadas.

4 - Choque de culturas são normais

Aprenda a lidar com as diferenças. Muitas vezes as empresas que se unem têm estratégias de mercado, de marketing e produtos muito diferentes. Assim como a mentalidade dos novos chefes. Lembre-se que eles possuem uma maneira diferente de ver os negócios e isso precisa ser respeitado.

5 - Não coloque olho gordo no colega

Analisar se o seu novo colega de equipe é melhor ou pior do que você é perda de tempo. Lembre-se que nesse momento o profissional valorizado é aquele que consegue trabalhar em equipe, adapta-se rapidamente ao novo cenário e tem capacidade para desempenhar várias funções.

6 - Procure fazer o melhor

Os bons profissionais são imprescindíveis em qualquer empresa. Portanto, se você é um profissional competente, com percepção de negócio de longo prazo, os seus novos superiores vão notar. Seu passe pode até ser valorizado, pois em momentos de fusão os headhunters saem à caça nas empresas envolvidas.

7 - Saiba dizer não

A empresa mudou radicalmente e seus ideais entraram em conflito com a nova realidade? Quando a situação chega a ponto, o melhor é negociar sua demissão da melhor forma possível. Mesmo que o seu perfil não combine com o da nova organização, você pode sim ter um lugar ao sol no mercado. Algumas dicas podem ajudá-lo na hora do adeus:

Tente incluir no pacote de demissão um programa de recolocação para ajudá-lo a encontrar uma nova oportunidade

  • Aproveite a oportunidade para se atualizar.
  • Faça cursos e participe de palestras e eventos
  • Não saia por aí falando mal da sua antiga empresa
  • Não adote uma postura de vítima o tempo todo e acredite no seu potencial


    Teste de sobrevivência
    Para saber se você está realmente preparado para uma possível fusão, faça o teste. Responda todas as perguntas com sinceridade e clique em RESULTADO para saber quais são as suas chances de sucesso no futuro da empresa.



    Saída estratégica
    Mesmo participando ativamente do processo de compra da Heublein pela multinacional United Destillers, ambas do setor de bebidas, o funcionário de recursos humanos Arnaldo de Mello Franco jogou a toalha. Ele foi informado que sua área de atuação seria sensivelmente diminuída. Pensou bem e achou que era hora de trocar de ares. Fez certo. Franco negociou um bom pacote de benefícios e saiu de lá para o cargo de diretor de RH da São Paulo Alpargatas.

    E agora?
    No primeiro semestre de 1999, durante a compra da rede de magazines Mappin pelo Grupo Pão de Açúcar, Celso Antônio Marquez viveu o drama de uma fusão pouco transparente. Marquez era gerente-geral do Mappin e sabia que a instituição estava à beira do abismo. No entanto, tinha poucas informações para dar aos funcionários. "No final, conseguimos salvar todos os 834 empregos, inclusive o meu. Amadureci muito profissionalmente com tudo isso", diz. "Aprendi que mesmo numa derrota podemos sair como vencedores."


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