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Palestra de Rita Barley
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Íntegra da palestra de Rita Bailey, diretora da Universidade Corporativa da Southwest Airlines, nos Estados Unidos, durante o painel Guia Exame - As 100 Melhores Empresas para Trabalhar, dia 13 de março de 2001 no hotel Renaissance, em São Paulo.


"Antes de mais nada farei um breve relato de nossa história. Voltemos então ao ano de 1971, quando a Southwest iniciou suas atividades. Naquela época, nossas comissárias vestiam-se de modo que talvez lhes pareça extravagante: usavam shorts extremamente curtos e botas de couro que iam até os joelhos. Mas não se espantem. Afinal, assim era a moda naqueles anos. E o mais importante, isso fazia parte de nossa estratégia, pois nos diferenciava das outras companhias aéreas, que tinham um estilo enfadonho, mal-humorado. Por isso, queríamos fazer algo que fosse empolgante, diferente e singular.

Utilizávamos o aeroporto de Lovefield em Dallas, no Texas. Por isso, resolvemos chamar nossa empresa de Love Airline e criamos as Love Hostess (ou aeromoças do amor) Como vocês podem imaginar, os executivos texanos adoravam viajar pela Southwest Airlines.

Vinte e um anos depois, nossas estratégias, filosofia e cultura corporativa continuavam substancialmente as mesmas. Entretanto, em meados dos anos noventa, já não era possível vestir as aeromoças daquele jeito e não podíamos mais deixar de contratar homens para essa função. Mudamos nosso visual, e assim parecíamos neste outro momento. Como podem ver, a pose é a mesma, só que com um visual mais atualizado. Na verdade, algumas das pessoas são as mesmas que apareciam na foto anterior, já que 19 de nossos funcionários trabalham na empresa desde sua fundação. Por outro lado, apesar de mais atual, a imagem que transmitimos continua, em essência, a mesma: a imagem de pessoas à vontade e divertidas. E ainda cumprimentamos nossos clientes como se fossem membros de nossas famílias. Essas pequenas curiosidades servem para que façamos a ponte entre os anos de 1971 e 2001. Mas o que aconteceu nesses 30 anos? O que mudou na Southwest durante esse período? Será que a empresa de fato mudou? Em 1971, possuíamos três aviões. Atualmente são 355. Em 1971, tínhamos aproximadamente 300 funcionários. Hoje, são mais de 30 mil.

Em 1971, voávamos para três cidades: Dallas, Houston e San Antonio, no estado do Texas. Atualmente, voamos para 58 cidades, nos EUA. Ou seja, crescemos muito e, por isso, tivemos que nos defrontar com alguns dos problemas que normalmente ocorrem quando uma empresa passa por grande crescimento.

Para a Southwest, um dos principais problemas que apareceram foi o seguinte: como manter uma cultura que valoriza o prazer, em que os funcionários se sintam valorizados e que se percebam como membros de uma família? Como viabilizar isso em uma empresa que passou a contar com mais de 30 mil funcionários espalhados por 58 localidades diferentes? É sobre isso que gostaria de falar, sobre as bem-sucedidas estratégias que empregamos para atingir esse objetivo e preservar a essência da cultura que caracterizou desde o início a Southwest Airlines. O resultado dessas estratégias foi o reconhecimento que nos levou a ser incluídos na lista das cinco melhores para se trabalhar nos EUA.

Há inúmeras organizações que procuram imitar a Southwest. Muitas das grandes organizações espalhadas pelo mundo afora adotam práticas extremamente semelhantes às nossas. Os dois palestrantes anteriores falaram sobre o modo como suas empresas tratam os funcionários, e várias das práticas por eles citadas são as mesmas que utilizamos há anos na Southwest Airlines.

Por outro lado, há também muitas organizações que dizem operar com a noção de que os funcionários são o seu ativo mais valioso, mas não transformam isso em práticas concretas. São palavras que nada significam, pois não se confirmam na vivência dos funcionários. E sabemos disso por experiência própria. Afinal, não acreditamos naquilo que ouvimos. Acreditamos apenas naquilo que somos capazes de vivenciar, não é mesmo?






 
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