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razão nos distancia da felicidade, nada mais natural do que cobrar
da razão que nos devolva a felicidade e também a auto-estima.
Amar só é possível para
quem tem boa auto-estima. Ser feliz também. O elemento básico
da felicidade é a auto-estima, ou seja, a felicidade começa
com a melhora de nossa auto-estima. Para você ser feliz e poder
amar de verdade, saudavelmente, deve estimular o crescimento da sua auto-estima
e atingir um elevado nível de auto-estima. Quanto mais auto-estima,
maior a capacidade de amar. Portanto, para você conseguir amar de
forma intensa, para dar e receber amor com confiança é preciso
desenvolver a auto-estima.
E como se consegue isto? Auto-estima significa gostar de si mesmo. Em
principio, gostar de si mesmo parece óbvio. Observando os animais
- que não tem uma mente como a nossa - vemos, através de
seu comportamento, que eles evidenciam uma sólida auto-estima.
Eles simplesmente se gostam. Aparentemente os bichos são todos
felizes. Quem tem um cachorro ou um gato em casa pode perceber isto. Eles
têm os seus problemas, podem passar fome ou dificuldades de toda
espécie e acabam morrendo, como todo ser vivo morre. Mas eles passam
pela vida com um evidente sentimento de felicidade e de amor por eles
mesmos.
Eles são naturalmente felizes. Penso que nossa dificuldade em sermos
felizes nos torna diferentes deles. E o que faz esta distinção
é a razão, pois o fato de termos uma mente racional, é
a mais clara separação existente entre os animais (já
chamados de "irracionais") e os seres humanos. A mente, em um
sentido muito específico, nos dota da capacidade de antever o futuro.
A grande distinção entre os seres humanos e os animais é
esta nossa capacidade que está muito além do que eles conseguem
fazer. Ao pensarmos sobre o futuro, criamos um conflito interno entre
nossos desejos imediatos e nossa vontade de planejar a vida.
Portanto, já que a razão nos distancia da felicidade, nada
mais natural do que cobrar da razão que nos devolva a felicidade
e também a auto-estima. Busquemos pois a felicidade e nos preparemos
para sermos felizes.
A grande transformação da vida do ser humano
no nosso planeta se deveu à agricultura que possibilitou que aquele
animal nômade, que vivia catando alimentos e caçando, pudesse
se estabelecer em um lugar para esperar a colheita do que havia plantado
e com isso surgiram os abrigos permanentes, as casas, as aldeias, cidades
e países. Toda a civilização nasceu da agricultura,
que foi a primeira cultura humana. Todo nosso acervo cultural começou
aí. E começou a partir desta capacidade de prever o futuro,
de prever que o grão, uma vez semeado, germinaria garantindo a
alimentação.
Porém, a capacidade de antever o futuro nos criou o conflito interior,
um problema do qual os animais não padecem. Nós todos passamos
por situações constantes, diárias, de conflitos interiores.
E o conflito é, basicamente, sempre entre o desejo imediato e o
nosso investimento no futuro. Para dar um exemplo bem infantil, mas que
assinala o começo deste eterno drama humano: a criança quer
ficar jogando bola ou quer ficar brincando de boneca, mas tem de ir para
o colégio. Plantando para colher mais tarde . Semeando agora, estudo,
aprendizado, etc. A criança desde cedo é confrontada com
a percepção deste conflito: "Quero isto agora, mas
quais são as conseqüências disto mais tarde?" Para
evitar confusão, utilizo a palavra desejo para os sentimentos imediatos
e a palavra vontade para os desejos que se referem ao futuro. Portanto,
usando estas denominações, pode-se dizer que vivemos um
conflito entre nossos desejos e nossas vontades. Voltarei em breve ao
assunto, para falar de como evitar danos à auto-estima.
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