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| A serviço da dança - "Posto
que na dança de salão, não há o meu e
o seu, há o nosso, e que quando se põe em sintonia,
forma parceria, e como a própria palavra denuncia, estabelece
harmonia e alegria" |
A arte reflete a vida ou a vida reflete a arte? Alguém
já fez esta pergunta, mas não sei se a respondeu. E
a dança, acompanha as relações afetivas ou o
afeto dança de acordo com a música? |
Se assim o for, pode-se dizer que os casais atuais estão entre
'pancadões' e a alta tecnologia, se esbarrando por acaso, entre
uns e outros, anônimos. Estão entre os encontros virtuais,
entre suas fotos 'fakes', entre orkut, twitter e chats. Chatos!
Nesses desencontros, o que se vê é muita virtualidade e pouco
contato, muita quantidade e pouca qualidade, muitos números e pouco
conhecimento, muito sexo e pouca intimidade.
Mas no espaço vazio dessa solidão, percebe-se um tímido
retorno às danças de salão, que em seu fundamento
provocam o encontro do masculino com o feminino, da condução
e da percepção do que o outro deseja. Desafio imenso para
os casais atuais, quando muitas mulheres conduzem homens que perderam
a direção.
E a arte de dançar junto vem ensinar o lugar dessa dualidade, perdida
de si mesma e mergulhada na confusa sexualidade, que se perverte rigorosamente,
a cada dia, na sociedade.
Nos bailes da vida, o confronto dos desejos é uma atividade comum,
mas nos bailes de dança de salão, a busca é a do
encontro do ritmo do outro, da afinidade dos corpos em um único
tempo, o da música. Não são mais homens e mulheres
simplesmente, são cavalheiros e damas, que conduzem e se deixam
conduzir com um mesmo fim, dançar junto ao outro, sem competição.
Alguns não perceberam a gentileza proposta pela arte da dança
e, viciados em sua vaidade, exibem-se, esquecendo o par, e como pavões,
abrem suas caudas, abafando o(a) parceiro(a). O que eles não sabem
ainda é que um sozinho não forma casal, e sem os dois, não
há a beleza da dança, do encontro.
Dançar junto é um exercício de escuta, que por ser
humana, tem seus limites. O homem conduz enquanto respeita o tempo e os
dons da dama, a mulher se deixa conduzir, enquanto percebe até
onde pode acompanhar o cavalheiro.
A graça está em dançar na arte do encontro, envolvendo
e se deixando envolver pelo tempo do outro, respeitando os diferentes
ritmos propostos, sem imposição. Posto que na dança
de salão, não há o meu e o seu, há o nosso,
e que quando se põe em sintonia, forma parceria, e como a própria
palavra denuncia, estabelece harmonia e alegria.
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