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por
Danilo Baltieri
Estratégias para não
beber - clique aqui
Fico de segunda a quinta-feira sem vontade de consumir álcool,
mas quando chega sexta-feira da aquela vontade louca de beber. O que eu
faço?
Resposta: O beber excessivo ou intenso em finais de
semana é um comportamento bastante comum, especialmente entre jovens.
Esse comportamento engloba cerca de 90% do total de bebidas alcoólicas
consumidas por jovens entre 12 e 17 anos de idade, segundo estatísticas
americanas.
Várias consequências nocivas têm sido apontadas
entre jovens com essa conduta. Maior frequência de comportamentos
sexuais e físicos arriscados e pior desempenho escolar e laboral
têm sido mais observados entre bebedores excessivos de finais de
semana do que entre não bebedores.
Elas e eles
Entre jovens do gênero feminino com esse padrão de consumo,
alguns estudos têm observado uma maior frequência de
comportamentos sexualmente inadequados, gravidez não planejada
e, consequentemente, indesejada, maior susceptibilidade a comportamentos
sexualmente ofensivos dos seus pares, maior exposição a
danos físicos, dirigir embriagada...
Entre jovens do gênero masculino, consequências semelhantes
são observadas, como comportamentos sexualmente arriscados, dirigir
embriagado, maior propensão a interpretações errôneas
e equivocadas, conflitos físicos com seus pares, comportamentos
agressivos de vários tipos...
Mulher é mais vúlnerável ao consumo de álcool
Além disso, sob uma perspectiva fisiológica, as meninas
tipicamente pesam menos do que os meninos e elas apresentam menor capacidade
de metabolização do etanol. Dessa forma, as moças
são mais vulneráveis aos efeitos do consumo do álcool.
Por essa razão, menores quantidades de bebidas podem causar muito
mais danos para as meninas. Também, a chance de experimentação
de outras drogas é maior entre os jovens que apresentam esse comportamento
de beber excessivamente (“binge drinking”) do que entre os
abstêmios ou bebedores sociais.
Neuropsiquiatria
Do ponto de vista neuropsiquiátrico, o álcool em altas doses
é neurotóxico e pode provocar danos às células
neurais. Alguns estudos comparando o funcionamento cognitivo entre jovens
bebedores pesados de finais de semana e outros jovens sem esse comportamento
apontam prejuízo da memória e das habilidades de raciocínio
e concentração no primeiro grupo. Além disso, uma
diminuição da dimensão do hipocampo (estrutura cerebral
responsável pela memória e aprendizado) tem sido observada
entre os jovens bebedores pesados (não se sabe se esse efeito é
reversível).
Efeitos aos outros sistemas orgânicos decorrentes do beber excessivo
episódico abundam na literatura médica (gastrites, esofagites,
aumento súbito da pressão arterial sistólica, diminuição
da contractilidade miocádica, dores musculares agudas resultantes
de miopatia etc).
Segundo estudo publicado no Current Opinion on Psychiatry (Karam
et al., 2007), existem alguns fatores que protegem e outros que favorecem
o beber pesado episódico entre jovens. Dentre os fatores de risco,
citam-se gênero masculino, uso frequente de bebidas alcoólicas
pelos pais e/ou amigos, maior nível educacional e maior status
sócioeconômico. E, entre os fatores de proteção,
destacam-se a presença forte de uma fé religiosa e de familiares
com conceitos negativos sobre o uso de bebidas alcoólicas e de
outras drogas.
Beber pesado uma vez por semana acarreta prejuízos
Apesar de todas essas evidências, os jovens tendem a negar as deletérias
repercussões do beber pesado em festas ou finais de semana. Isso
ocorre, principalmente, quando os seus pares fazem uso importante de bebidas
e incentivam esse comportamento. Isso acaba gerando, principalmente entre
os jovens, a crença de que beber bastante uma vez por semana é
legal e não acarreta quaisquer prejuízos.
Estratégias
Acredito que as primeiras estratégias a serem desenvolvidas para
se evitar isso são: a mudança do estilo de vida e das ideias
muitas vezes disfuncionais entre essas pessoas. Você seguramente
já deu um primeiro passo, quando reconhece que é uma “loucura”
a sua vontade de beber nos finais de semana. É o momento exato
de mudança de estilo de vida e, talvez, dos amigos de copo.
Tentar desenvolver atividades sociais diferentes, em que a presença
de bebidas não existe, consiste em uma estratégia adequada
e muitas vezes prazerosa. A diversão ou o relaxamento tão
desejados nos feriados e finais de semana não deve estar associado
com o consumo de bebidas alcoólicas ou com outras substâncias.
Muitas vezes, a pessoa que bebe intensamente é cercada por amigos
que também têm esse comportamento, e não percebe que
existem outros colegas que não compartilham disso.
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