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Coluna Vida Saudável
- Dicas para a sua saúde e para uma vida saudável
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Ensine seu filho a comer corretamente
Grandes especialistas da área de nutrição infantil são
unânimes em afirmar que a alimentação não deve ser
feita apenas como meio de reposição de energia ou para o crescimento
das crianças, mas como forma de proteger o organismo contra doenças
e agressões ambientais, como as variações bruscas de temperatura,
poluição e radioatividade
Por
Jocelem Salgado
Atenção à alimentação das
crianças nunca foi algo tão notável como nos últimos
anos, tanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) nomeou
2005 como o ano da saúde da mãe e do filho. No Brasil, em junho,
a Organização Pan-Americana de Saúde - Opas reuniu os ministros
da Saúde e do Meio Ambiente para discutir os temas no continente e também
contemplou debates à saúde das crianças.
Estudos recentes da Opas mostraram que as crianças brasileiras estão
gordas como as americanas e anêmicas como as indianas. Enquanto a anemia
atinge quase metade das nossas crianças, o sobrepeso já afeta
6,5 milhões de jovens com mais de 6 anos. A grande preocupação
do Ministério da Saúde é que a criança desnutrida
de hoje pode ser o obeso de amanhã, havendo uma relação
intrínseca entre esses dois distúrbios alimentares presentes na
vida da criança brasileira.
Todas essas notícias são ruins e apontam para o mesmo problema:
hábitos alimentares e práticas de vida inadequadas. Na maioria
dos casos, alimentação pobre em ferro ainda é a responsável
pelo grande número de crianças com anemia. Não falta o
que comer; falta uma dieta correta. É assim também com as crianças
e adolescentes que estão acima do peso: elas não estariam comendo
demais, mas estariam comendo de maneira inadequada.
A convivência da desnutrição lado a lado com a obesidade
revela mais que desigualdades econômicas; revela uma grande carência
de estímulos para uma dieta saudável. Nos dois casos, a criança
acostumou-se com sanduíches, salgadinhos e refrigerantes e não
foi devidamente estimulada a comer frutas, verduras e legumes. Os adultos à
sua volta, pais, parentes, professores ou merendeiras, nunca as ensinaram como
comer corretamente e nem imaginavam que poderiam estar comprometendo a saúde
dessa criança.
Nesse cenário, em que quem ensina a comer é a TV, muitos pais
se defrontam com o desafio de filhos que não ganham peso e de filhos
que ganham peso demais. A solução está na reeducação
alimentar, na adoção de uma dieta balanceada e saudável
que muitas vezes pode encontrar resistência da parte dos filhos "mal
acostumados". É preciso que aos poucos eles aprendam a gostar das
frutas e legumes tanto quanto gostavam antes dos hambúrgueres e dos salgadinhos,
e para isso, deve haver estímulos e esforços dos pais no sentido
de oferecer aos seus filhos alimentos saudáveis.
Anemia, obesidade, fome oculta....
O organismo humano necessita receber através da alimentação
40 a 45 elementos indispensáveis para o seu bom desenvolvimento. Na criança,
o déficit de um ou mais nutrientes causa prejuízo a algumas funções
orgânicas, levando ao aparecimento de doenças carenciais, e tendo
como conseqüência na vida adulta, um indivíduo menos produtivo
e incapacitado para determinadas atividades.
Estudos mostram que no Brasil, o número de crianças que vai à
escola sem ter feito um bom café da manhã chega em média
a 30-40%, e isso ocorre em todas as classes sociais, inclusive nas mais favorecidas.
Pesquisas recentes elaboradas pelo Ministério da Saúde e pela
Opas, com base em entrevistas com milhares de crianças em todas as regiões,
das capitais e do interior confirmam que a anemia atinge quase metade das crianças
brasileiras, um índice similar ao da Índia. Esse mesmo estudo
mostra que 15% dos meninos e meninas vivendo no Brasil estão obesos,
por conta de uma alimentação desequilibrada. Na década
de 80, apenas 3% delas eram obesas.
Em uma criança, a obesidade atrapalha o crescimento e pode provocar a
má formação das articulações e dos quadris.
A médio e longo prazo, podem surgir hipertensão, colesterol elevado,
diabetes e outros males cardíacos, e estimativas médicas mostram
que oito de cada dez crianças obesas tornam-se adultos gordos. Com relação
a anemia, sabe-se que não é necessariamente um problema típico
de populações mais pobres ou de crianças mais magras. A
alimentação inadequada faz com que a anemia apareça em
todas as classes sociais e em crianças rechonchudas, que aparentemente
gozam de excelente saúde. Tudo depende do que os pais põem no
prato de seus filhos.
A médio-longo prazo, o crescimento físico e mental dessas crianças
podem ficar retardados, e a fadiga, cansaço e falta de ar podem comprometer
o rendimento escolar. Os estudos que avaliam os hábitos alimentares das
crianças brasileiras informam que nos dias de hoje, prevalece o consumo
excessivo de alimentos pobres em nutrientes e altamente calóricos, ricos
em gorduras, açúcares simples e sódio, tais como salgadinhos,
batata frita, sanduíches, doces e guloseimas, refrigerantes, etc.
A ingestão de frutas, hortaliças, cereais integrais,
entre outros alimentos ricos em vitaminas, minerais, proteínas e fibras,
importantes para o desenvolvimento infantil, é quase sempre desprezada.
Essas refeições com pouca variedade de alimentos e com excesso
de gorduras, açúcares e sal, tem levado muitas crianças
a um estado de saúde extremamente contraditório denominado "fome
oculta". Esse estado que alia sobrepeso/obesidade com carência de
nutrientes essenciais ao perfeito funcionamento do organismo não faz
distinção de classe social, renda ou grau de escolaridade e contribui
para o desenvolvimento de doenças a médio-longo prazo tais como
o câncer, diabetes, cardiovasculares, entre outras. A fome oculta é
lenta e silenciosa e não apresenta sintomas aparentes à curto
prazo. O déficit de certos nutrientes, escassos na alimentação,
vai com o tempo causando danos ao organismo da criança, cujas consequências
se refletirão em sua vida adulta.
Dificuldade na escola X alimentação
É importante também que todos os pais saibam que
um dos principais fatores que influenciam no rendimento escolar é a alimentação.
Problemas como déficit de atenção, falta de concentração,
hiperatividade, falta de memória, entre outros, podem muitas vezes estar
ligados a erros alimentares.
Diversos estudos têm encontrado uma dificuldade escolar maior em crianças
que consomem açúcar em excesso: balas, chocolates, refrigerantes,
etc. Além disso, outros estudos associam as dificuldades de aprendizado
a corantes e aditivos alimentares.
Deficiências nutricionais de vitaminas e minerais também podem
causar ou agravar problemas de aprendizado, além de falta de apetite
e cansaço. A carência de alguns micronutrientes contribui para
a deficiência de serotonina, que além de afetar o humor pode ser
causa de menor rendimento escolar. O zinco e a niacina, por exemplo, atuam no
hipocampo que tem uma função importante no desenvolvimento da
memória e nas emoções. No caso da deficiência de
ferro, a dificuldade escolar pode surgir mesmo antes do aparecimento da anemia.
Já o excesso, pode contribuir para o aumento dos radicais livres cerebrais
causando dificuldade escolar.
Por isso, além de uma alimentação saudável em casa,
é imprescindível que a criança faça um bom lanche
na escola, com alimentos nutritivos, ricos em todos os nutrientes importantes
para o seu bom rendimento escolar.
A importância de uma alimentação funcional
Atualmente, grandes especialistas da área de nutrição
infantil são unânimes em afirmar que a alimentação
não deve ser feita apenas como meio de reposição de energia
ou para o crescimento das crianças, mas como forma de proteger o organismo
contra doenças e agressões ambientais, como as variações
bruscas de temperatura, poluição e radioatividade, além
do estresse do dia-a-dia. As necessidades infantis de acordo com o conhecimento
atual vão além da energia que os alimentos contém. Nossas
crianças precisam de nutrientes e compostos bioativos que previnam doenças
a longo prazo. É a Nutrição básica evoluindo para
a Nutrição biomolecular, Nutracêutica e Alimentação
Funcional.
Por isso, o consumo de alimentos fortificados com vitaminas e minerais deve
ser incentivado, assim como o consumo de alimentos funcionais ricos em substâncias
antioxidantes e com funções terapêuticas tais como soja,
cereais integrais como aveia, frutas e hortaliças variadas e peixes marinhos.
Obesidade na adolescência
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Jocelem
Salgado - Profª. Titular
em Nutrição LAN/ESALQ/USP/Campus, Piracicaba Mais informações clique aqui |