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Alimentação é um tema que sempre gera muita controvérsia.
Há muitas correntes com conceitos e ideias mais díspares
possíveis, e que espalham esses conceitos na sociedade. A gama
de reações individuais é muito extensa, e cada pessoa
tem um perfil quase próprio de preferências e intolerâncias.
Assim cada pessoa acaba elegendo um conceito e alguns mitos, que se encaixam
no seu perfil alimentar. Reações alérgicas a alimentos
são relativamente comuns e geram um ambiente ainda mais complexo
para avaliação do que é bom e ruim para cada pessoa.
Assim, é muito difícil traçar diretrizes, que sejam
verdade absoluta para todas as pessoas. É como se cada indivíduo
tivesse um perfil específico de alimentos ideal para si.
Nada como um ambiente complexo, como esse, para gerar histórias
e mitos. Comida e alimentação mexem com um instinto de sobrevivência
do ser humano. Isso ajuda as pessoas a projetarem suas fantasias na comida.
As pessoas falam, sonham, criam histórias com isso. O que é
verdade e o que não é? Dentro do possível vamos avaliar
vários desses mitos e controvérsias, mostrando o que tem
suporte na ciência e nos estudos feitos pela medicina e nutrição
até o momento.
1º) Carne de porco é menos saudável que carne
de vaca?
Carne de porco é uma carne mais gordurosa que a de vaca, e como
toda carne, possui principalmente as gorduras saturadas, aquelas que não
são as melhores para saúde. Assim é uma carne que
não pode ser consumida em muita quantidade ou com muita frequência.
Os judeus consideram a carne de porco não “kosher”,
ou seja, imprópria para o uso humano, o que ajuda a criar um conceito
de pouco saudável. Acredita-se que isso deva ter sido por ela transmitir
um tipo de verme (Taenia solium) que pode causar uma doença
mais séria, a cisticercose. Essa doença pode ser evitada
com um cozimento adequado da carne.
Entretanto, a carne de porco também tem algumas características
boas. As proteínas do porco são mais parecidas com as humanas,
que as da vaca, por isso é uma carne que pode ser usada em pessoas
com alergia a outras carnes. Os chineses associam o porco ao rim, por
isso acreditam que sua carne ajuda as pessoas que têm doença
renal.
2º) Beber água durante a refeição causa
barriga?
Beber água na refeição, em especial água em
excesso (mais que meio copo), não é bom, porque dilui os
sucos digestivos que são produzidos no estômago e nos intestinos.
Isso faz a digestão se tornar mais lenta e laboriosa, e muitas
vezes o bolo alimentar aumenta de volume com a água, levando a
uma distenção abdominal – ou seja, a barriga fica
dilatada. Mas esse efeito é reversível, ou seja, assim que
acaba aquela digestão, a barriga volta ao normal. O que causa aumento
mantido da barriga é o aumento da gordura abdominal. O principal
fator que aumenta a gordura abdominal é uma alimentação
excessivamente rica em carboidratos simples (açúcar), em
especial combinado com bebidas alcoólicas. Isso aumenta a síntese
de triglicerídeos (gorduras) no fígado, que se acumulam
mais na cavidade abdominal, fazendo a barriga crescer. Há também
um fator genético, que faz que algumas pessoas tenham mais tendência
a acumular gordura na barriga.
3º) Chocolate faz bem ou mal à saúde?
Um ponto fundamental em alimentação é que não
existe necessariamente alimento totalmente ruim nem bom. Tudo depende
da quantidade que a pessoa come. Até água que é a
substância que temos em maior proporção no organismo,
pode ser nociva em excesso. Com o chocolate não é diferente,
é importante controlar a quantidade.
Sim, chocolate é um alimento que faz bem à saúde,
pois possui procianidinas e outros antioxidantes que ajudam na proteção
dos vasos sanguíneos e na prevenção da aterosclerose.
Mas, como o chocolate é muito calórico, ele deve ser consumido
em quantidades muito moderadas para evitar o aumento de peso. O ideal
é uma barra pequena, de 30 a 50g, no máximo, por dia.
É verdade que o chocolate ajuda a melhorar o humor feminino, e
às vezes a TPM, porque combina alimentos como triptofano, metilxantinas
e outras substâncias que melhoram o estado de humor. Isso explica
o desejo que muitas mulheres possuem por chocolate. Como o chocolate é
muito gorduroso, ele pode causar intolerância e casos de dores de
cabeça, em pessoas sensíveis.
4º) Leite causa aparecimento de muco?
O leite a que nos referimos, é o leite de vaca. A albumina (proteína
do leite) da vaca é muito alergênica para a espécie
humana. Por outro lado, os leites que são maternizados, ou seja
preparados para uso em crianças, são feitos com leite de
vaca. Crianças possuem um intestino mais imaturo que os adultos,
principalmente até o segundo ano de vida. Isso facilita a entrada
de proteínas inteiras da vaca no organismo da criança, e
essas proteínas vão funcionar como um estímulo ainda
maior para desencadear alergia. Como consequência, a alergia ao
leite de vaca é muito comum em crianças e adultos.
Nessas pessoas, que possuem alergia ao leite de vaca, a ingestão
de leite costuma causar sintomas alérgicos respiratórios,
acompanhados do aumento da secreção de muco. Outro problema
do leite de vaca é a quantidade de lactose, o açúcar
do leite. Muitos adultos vão desenvolvendo uma deficiência
da capacidade de digerir a lactose, e com isso têm gases, desconforto
na barriga, diarreia, náuseas, dor abdominal e outros sintomas
quando tomam leite de vaca ou comem seus derivados. Leite de cabra é
bem mais saudável, pois sua proteína causa muito menos alergia,
ele tem menos lactose e gorduras que o leite de vaca.
5º) Brócolis e repolho causam gases?
Sim brócolis, repolho, couve-flor, couve mineira, couve de bruxelas,
e mostarda são vegetais do gênero brassica. As espécies
desse gênero possuem uma proteína muito rica em aminoácidos
sulfurados. No tubo digestivo esses aminoácidos são fermentados
por bactérias intestinais a óxido de enxofre (SO2) um gás
mau cheiroso. A produção de gases pode atrapalhar a digestão,
além do problema do desconforto que a sua saída provoca.
Por isso e recomendável evitar de comer quantidades excessivas
desses vegetais, pois a digestão pode ficar afetada. Também
é recomendável não combinar esses vegetais na alimentação,
preferindo misturá-los com outros que não geram gases, e
assim minimizar o problema.
6º) Ovo faz mal à saúde?
Ovos têm bastante colesterol, cerca de 200mg por unidade, mas os
estudos recentes sugerem que uma boa parte não seja absorvido.
A lecitina do ovo reduz a absorção do colesterol. Isso é
mais ou menos a metade a quantidade de colesterol recomendável
para ingestão máxima diária. Portanto a quantidade
de colesterol do ovo não é um empecilho para seu uso –
considerando a recomendação de ingestão de uma unidade
ao dia.
Por outro lado, o ovo possui vários alimentos importantes como
proteína, fosfatidil colina (uma substância importante para
o cérebro), vitaminas A, D, E, B1, B2, B3, B6, B12, biotina, ácido
fólico, fósforo, cálcio, magnésio, cobre,
zinco, selênio, iodo e enxofre. Botando os prós e contras
na balança, o ovo se mostra um excelente alimento.
7º) Café faz bem ou mal à saúde?
São essas contradições da ciência. Durante
um bom tempo se dizia que a cafeína fazia mal à saúde.
Agora se descobriu que a cafeína não é tão
ruim assim, e tem vários efeitos positivos. Ela ajuda a combater
a fadiga e gera algumas melhoras no desempenho cerebral, como memória
e capacidade de concentração. Ela também tem efeito
analgésico, ajuda a reduzir dores de cabeça e estimula a
função renal. Mas seus efeitos problemáticos continuam
a existir, em especial o aumento da secreção do estômago,
que pode causar dor abdominal e gastrite. A cafeína ainda gera
problemas em pessoas sensíveis com insônia ou naqueles que
tem arritmias no coração – como as extrassístoles
e tendência à taquicardia. O uso alimentar do café
exige muito bom senso quanto a quantidade, como é fundamental para
qualquer alimento – uma xícara de cafezinho no café
e almoço é o recomendável para aproveitar os seus
efeitos com um mínimo de risco sem ter os efeitos negativos.
8º) Suprimir o jantar ajuda mais a emagrecer?
Há um conceito proposto por algumas pessoas, que o jantar é
a refeição onde os alimentos são mais utilizados
para refazer os estoques de gordura, já que durante à noite
o metabolismo diminui, e assim sobram mais calorias para o estoque. Por
isso, essas pessoas recomendam suprimir o jantar como estratégia
para emagrecer. Apesar do raciocínio acima fazer sentido, ninguém
provou que isso acontece, e a maioria dos nutrólogos e nutricionistas
acredita que esse conceito é lenda.
Suprimir completamente a alimentação da noite é ruim
porque acaba levando a hipoglicemia durante a noite, o que pode atrapalhar
o sono. Muitas pessoas, com o sono atrapalhado e hipoglicemia noturna
vão acabar assaltando a geladeira e o tiro sai pela culatra. O
que a maioria dos bons profissionais de saúde que trabalha com
alimentação concorda, e é a proposta de mais bom
senso, é fazer uma refeição bem mais leve à
noite. É recomendável comer um prato de sopa de legumes,
apenas.
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