| No tempo de nossos avós, quando
a mulher perdia o marido estava condenada ao luto eterno. Mesmo que não
fosse viúva, vestia-se de preto e passava o resto da vida a viver
apenas por procuração, dedicando-se aos filhos e, depois,
aos netos. Gerações e gerações foram condenadas
desta forma a uma vida insípida e as poucas que ousavam desafiar
esse padrão equivocado de comportamento eram rejeitadas socialmente,
apelidadas de viúvas alegres ou de coisa mais grosseira.
Hoje isto mudou: poucas são as
mulheres dispostas a renunciar à própria sexualidade e aos
próprios sentimentos. As viúvas estão aprendendo
a deixar os mortos descansando em paz e a se ocuparem do que cabe aos
vivos viver e ser feliz. Um verdadeiro amor é imortal e permanece
vivo numa dimensão superior da memória, onde guardamos nossos
tesouros mais queridos. Mas a vida não admite estagnação
nem inércia e pede de todos nós um compromisso permanente
com a busca da felicidade.
Porém, as mulheres de uma certa idade quando perdem o marido, seja
por morte ou por separação, se vêm confrontadas com
uma situação nova, com a qual têm, em geral, muita
dificuldade para lidar. Estão sozinhas, convivendo com um novo
universo de relacionamentos amorosos para o qual não estão
preparadas. O assédio masculino a que estavam habituadas na juventude
desapareceu. A partir dos quarenta anos, ou até mesmo antes, existem
muito mais mulheres do que homens, com interesse em cultivar uma relação
amorosa. Os poucos homens que aparecem, sabendo da situação
favorável em que se encontram no mercado amoroso, mostram-se exigentes,
principalmente no que diz respeito a algo que é um ponto extremamente
sensível para a maioria das mulheres viúvas recém-
separadas: o relacionamento sexual.
A gatinha cortejada a cujos pés arrastavam-se príncipes
encantados mendigando carinhos se tornou uma senhora que é brutalmente
convidada pelo seu eventual acompanhante a exibir suas habilidades na
cama. E ela não está preparada para este novo mundo. Podemos
ouvir suas queixas: o romantismo acabou; os homens não prestam,
são cafajestes; são inseguros, sofreram e não têm
coragem de começar de novo, etc. Outra armadilha consiste no sentimento
de que é necessária uma presença masculina ao lado
para promover o bem-estar. Algumas mulheres chegam a condicionar sua felicidade
à existência de um namorado firme ou até de um marido.
Acreditando nisso acabam se sentindo inferiorizadas ao iniciar um relacionamento
amoroso.
Torna-se necessário que a mulher aprenda a conviver com os homens
nesse novo ambiente. Ela precisa compreender que sexualidade não
pode mais ser um tabu aos cinqüenta anos de idade, como era aos vinte.
Além disso, os tempos mudaram e a visão que nossa cultura
tem hoje da vida sexual evoluiu significativamente nos últimos
quarenta anos para uma atitude de maior aceitação da atividade
sexual independente de casamento. É preciso compreender que o relacionamento
sexual é uma forma de aproximação de conhecimento
entre duas pessoas e que não pode implicar em um compromisso. Se
chegar a haver compromisso, ele estará alicerçado, entre
outras coisas, exatamente na qualidade do relacionamento sexual que o
casal atinge.
Essa nova forma de olhar a relação entre o homem e a mulher
não é fácil de ser incorporada. Todavia, para não
correr o risco de ficar permanentemente sozinha e frustrada sem conseguir
manter um relacionamento satisfatório, é necessário
que a mulher desenvolva uma visão mais atual e lúcida de
como construir sua relação com os homens.
É interessante tomar como referência a forma de relacionamento
habitualmente desenvolvida pelos casais jovens. Há muito menos
restrições à sexualidade e uma proposta de igualdade
de direitos e deveres. As moças não temem o sexo, não
ficam esperando que os rapazes paguem suas contas nem que as tratem como
frágeis bibelôs, embora consideração, respeito
e educação que inclui abrir portas e oferecer o braço
ainda façam parte de uma saudável expectativa.
O recado importante consiste na afirmação categórica
de que existe sexo saudável e de muito boa qualidade depois da
menopausa ou qualquer idade. Apenas é preciso que se dê atenção
às oportunidades.
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