| Diálogos | |||||||
| Dicas para um bom diálogo interpessoal | |||||||
Você não me ama! |
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| por Luís César Ebraico | |||||||
| Nossa cultura é uma cultura assustada. Não digo CONJUNTURALMENTE assustada, ou seja, com indivíduos capazes de ajustar seu nível de medo ao perigo provável do ambiente em que está inserido. Digo ESTRUTURALMENTE assustada, ou seja, mantendo um alto nível de medo, mesmo em situações em que ameaças relevantes são bastante improváveis. Gosto muito de um poema de Drummond que aponta para isso: “Provisoriamente não cantaremos o amor, Esse medo estrutural leva naturalmente à necessidade de nos camuflarmos,
de nos escondermos, criando uma multidão de indivíduos escondidos
debaixo de um pseudo-eu. Tal se vê nos menores detalhes de nossa
vida cotidiana. Uma boa ilustração disso gira em torno do
que os ingleses chamam de “fishing for compliments” (literalmente
= pescar louvores, elogios): uma pessoa está sentindo necessidade
de ser elogiada, como não OUSA EXPOR sua necessidade, dá
uma imensa volta. Escolhe alguém – que ela sabe de antemão
valorizá-la – e faz, diante desta, um comentário em
que se autodesmerece, esperando que a outra venha logo com o desmentido,
para consolá-la. O processo, naturalmente, é pouco sério:
a pessoa não expõe que está sentindo-se carente e
faz um joguinho para levar a outra a elogiá-la. Acontece que, particularmente
em certas relações amorosas, isso pode se tornar um inferno,
com uma das pessoas acusando ininterruptamente a outra de não a
amar e a outra eternamente acuada tendo que provar o contrário.
Uma das melhores maneira de desmanchar esse comportamento pouco sério
é levá-lo a sério. O diálogo abaixo serve
de ilustração. Testem. Dá supercerto.
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