Quer um amor perfeito? Só
se for a flor!
| "Cada vez
mais aumenta o número de pessoas insatisfeitas no amor. São
homens e mulheres, em sua maioria gente bacana, tentando encontrar
alguém com quem possam compartilhar o que tem de melhor. Mas,
como uma ironia do destino, mesmo quando duas pessoas bacanas se encontram,
acabam não tendo tempo de perceber isso. Estragam as coisas
antes mesmo que as coisas tenham tempo de existir" |
Quer um amor perfeito? Só se for
a flor!
Você já viu aquela florzinha que chamamos popularmente
de amor perfeito? Longe da perfeição, é uma flor
pequena, delicada, às vezes me lembra uma carinha risonha,
talvez rindo dessa nossa busca infantil e infrutífera pela
perfeição no amor. |
Se antes as pessoas suportavam coisas demais em nome do amor, até
mais do que deveriam, mais do que seria saudável; hoje nada suportam.
Basta uma palavra aparentemente inadequada ou mal colocada, um gesto mal
cuidado, um erro, uma roupa desencontrada, um sapato mais brilhante do
que supostamente deveria ser, e o outro já é descartado.
Não se aceita nada menos do que a perfeição.
Para desistirmos de alguém basta perceber que esse alguém
é de carne e osso e que, além de alegria, sente também
tristeza ; basta descobrir que o outro, como qualquer ser humano, tem
problemas, dificuldades, se afastando do ideal de perfeição
tão cuidadosamente traçado. Hoje em dia descartamos as pessoas
como se faz com brinquedos estragados em uma linha de produção.
Queremos que tudo seja rápido e absolutamente perfeito. Não
há mais espaço para a conquista sadia, para o caminho de
conhecimento mútuo que acontece aos poucos, para a parceria, para
a construção conjunta. Queremos o produto acabado e sem
defeitos. Não há espaço para que o amor possa acontecer.
As avaliações são superficiais, afinal não
temos tempo a perder.
- Ou serve ou não serve!
E se achamos, após algumas horas e um tanto de impressões
superficiais, que aquela pessoa não serve, a jogamos fora, como
fazemos com os arquivos da lixeira de nosso computador. Apertamos a tecla”
Del” e seguimos em frente sem nem mesmo olhar para trás,
muitas vezes deixando um rastro desastroso por nosso caminho.
Não é de se estranhar ver tanta gente sozinha.
Cada vez mais aumenta o número de pessoas insatisfeitas no amor.
São homens e mulheres, em sua maioria gente bacana, tentando encontrar
alguém com quem possam compartilhar o que tem de melhor. Mas, como
uma ironia do destino, mesmo quando duas pessoas bacanas se encontram,
acabam não tendo tempo de perceber isso. Estragam as coisas antes
mesmo que as coisas tenham tempo de existir. A pressa, a ansiedade, a
falta de paciência, são como uma foice, cortando o brotinho
que ingenuamente se dispunha a crescer.
Por que fazemos isso?
Creio que nunca estivemos tão assustados como agora. Temos medo.
Não apenas do outro, mas temos medo de nós mesmos, medo
de não sermos capazes de atingir a perfeição autoexigida.
Temos medo de que, ao entrarmos em um relacionamento, enxerguemos no outro
(que é como um espelho gigante) , as nossas próprias imperfeições.
E para não quebrarmos essa ilusão de que somos perfeitos,
nos mantemos longe dos espelhos, longe dos relacionamentos.
É preferível acreditar que o problema está no outro.
É o outro que está gordo demais, ou é inteligente
de menos, ou usa roupas feias, ou cheira a mel estragado, ou sei lá
o que mais formos capazes de inventar. Tudo para nos afastar da possibilidade
de olhar para nossas próprias falhas e feridas.
Se o amor não é perfeito, muito menos somos nós.
Só quando aceitarmos a nós mesmos exatamente como somos,
essa linda somatória de qualidades e defeitos, seremos capazes
de abrir nosso coração para uma pessoa de verdade, de carne
e osso, dessas que nem sempre combinam com as páginas de revistas
ou personagens românticos de filmes e novelas.
Enquanto isso, continuamos trancados, fechados para o amor, atropelando
as pessoas bacanas que tanto queremos encontrar, sem nem mesmo perceber
a nossa responsabilidade no rastro de destroços que deixamos para
trás.
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