| "Para reconhecê-lo
é preciso ter um mínimo de autoconhecimento, pois do
contrário estará vulnerável a considerar toda
pessoa que vier a conhecer e/ou se relacionar como uma possibilidade
de vivenciar o amor, podendo assim facilmente confundir apego, posse
e atração com amor" |
O amor quando chega nos invade, acolhe, aconchega...
apesar de tantos desejar e esperar por ele, nem sempre somos abençoados
com nobre sentimento. Mas quando chega verdadeiramente nos sentimos
assustados, não sabemos o que fazer, se é que deve ser
feito algo... só conseguimos saber que sentimos algo forte,
muito forte! “O que é isso?” nos perguntamos, “tão
diferente do que já senti!”... pensamos! |
Não é por ser diferente que é errado ou com menor
valor, apenas é diferente daquilo que conhecemos, mas talvez por
isso mesmo seja algo tão assustador. Mas ao mesmo tempo é
bom, tranqüilo, parece que liberta; muito diferente daquele sentimento
que damos o nome de amor, quando na verdade está muito mais para
apego, posse, atração, desejo, prisão.
Só depois que ele – amor - chega é que reconhecemos
a sutil diferença ao que sentíamos e damos o nome de amor,
e ao que é amor realmente. Para nomear um sentimento com esse nome,
ele deve ser muito nobre, o que em nada combina com ciúmes, agressões,
insegurança, infidelidade, controle, manipulação,
brigas constantes, entre outros. Não, o amor não traz nada
disso, ele traz exatamente o contrário: paz, segurança,
tranqüilidade, harmonia, crescimento mútuo, confiança,
cumplicidade. Enfim, aquilo que sempre desejamos ter, mas enquanto não
for amor de verdade, dificilmente conseguiremos conquistar, por mais que
o desejemos.
Mas por qual motivo é tão difícil encontrar
o amor verdadeiro?
Tudo começa com a falta de amor por nós mesmos, que geralmente
vem associada à baixa auto-estima. Ou seja, se não reconhecemos
nossos reais valores, como podemos nos amar? E como saber de nosso valor
enquanto pessoa se nem todos se dão ao trabalho de se conhecerem?
Dificilmente alguém ama quem não conhece, ou ainda, quem
não se dá o devido valor. Isso nos faz chegar à conclusão
que sem nos conhecermos, e em conseqüência nos amarmos - pois
o amor vem do conhecimento, admiração, que se tem por outra
pessoa ou por si mesmo - não conseguiremos verdadeiramente amar
alguém ou permitir que tal amor chegue até nós.
Sem nos conhecermos não sabemos quais são as necessidades
emocionais que temos, as quais não deixam de existir por não
as reconhecermos. Elas muitas vezes são responsáveis por
nossas expectativas frustradas, pois muitas vezes esperamos que nosso
companheiro venha a suprir tudo aquilo que necessitamos desde crianças
e que não fomos correspondidos. Com isso tendemos a idealizar o
outro, vendo nele aquilo que gostaríamos que fosse e não
quem ele é na realidade. E conforme ele vai se mostrando a nós,
sentimos como se tivéssemos sido enganados. Mas será que
fomos mesmo enganados ou sequer nos demos tempo para saber quem é
essa pessoa que deixamos entrar em nossa vida, sem pedir licença,
e colocamos nosso coração e nossa vida totalmente em suas
mãos?
Resumindo: a falta de amor-próprio, a baixa auto-estima, as necessidades
emocionais não reconhecidas, geralmente causadas pela falta de
autoconhecimento, somada as idealizações, expectativas,
carências, histórico de vida, podem comprometer nossos relacionamentos
e dificultar o encontro com o verdadeiro amor. O que, no fundo da alma,
é o que todos buscamos.
Portanto, devemos realizar toda essa caminhada de autoconhecimento para
depois nos permitirmos nos envolver com outra pessoa, o que raramente
as pessoas fazem. Elas querem alguém que não as façam
se sentir sozinhas e nessa busca, muitas vezes se encontram mais sozinhas
do que antes. Por medo de ficar só, envolvem-se com pessoas cujo
relacionamento traz apenas sofrimento.
“Mas como reconhecer se o que sinto é amor?” você
deve estar se perguntando... Para reconhecê-lo é preciso
ter um mínimo de autoconhecimento, pois do contrário estará
vulnerável a considerar toda pessoa que vier a conhecer e/ou se
relacionar como uma possibilidade de vivenciar o amor, podendo assim facilmente
confundir apego, posse e atração com amor. Fará isso
porque irá sobrepor suas carências, sem respeitar sua reais
necessidades, que muitas vezes está muito distante de serem supridas
por esse pessoa.
Claro que devemos considerar que ninguém supre as carências
de ninguém, mas sempre queremos uma pessoa que seja carinhosa,
compreensiva, amiga... Enfim, que tenha valores semelhantes aos nossos,
mas ignoramos isso e nos envolvemos sem o menor conhecimento do outro,
em conseqüência da falta de conhecimento de nós mesmos,
assim nos tornamos dependentes emocionais. Sim, não podemos saber
isso sem dar o mínimo de chance para conhecer, mas quantas vezes
não entramos num relacionamento sem sabermos muito bem sequer o
que queremos?
Como encontrar alguém que te faça feliz se nem você
mesmo o sabe?
O autoconhecimento se torna importante até para iniciar um relacionamento.
Portanto, procure se conhecer mais, saber o que é importante para
você no relacionamento afetivo, tenha referência de como seria
o relacionamento ideal para você, ainda que ele não seja
exatamente igual, ao menos saberá o quanto está perto ou
distante do que deseja para sua vida nos próximos anos.
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