| "Acho que falta equilíbrio
entre essas duas formas de subjetividade. Nós precisamos de
mais contato ocular, de mais interação real e não
apenas virtual ..." |
A sociedade atual vive um momento de
exposição onde o self (eu) necessita se autoafirmar
cada vez mais através de blogs, redes sociais, mostrando a
cara, a mente e até os segredos mais íntimos. |
Antigamente, esses segredos escritos à luz de velas, rabiscados
em cadernos, representavam o desabafo do self no sentido introspectivo
do ser humano; estar sozinho consigo mesmo era sinal de conforto e paz,
talvez alívio.
Hoje vivenciamos um reality show, onde rostos precisam se mostrar e as
ideias não se contentam mais só com a introspecção.
Muitos julgam essa sociedade robótica, psicopática, fria
e fútil. Mas, se pensarmos no ponto de vista que em toda sociedade,
mesmo caótica, existam transformações essenciais,
poderemos encontrar certamente pontos positivos, como por exemplo, a democratização
da comunicação com alcance rápido e agrupar pessoas
com mesmos ideais.
Não vemos mais grupos nas ruas reenvindicando seus direitos, mas
não podemos nos esquecer que esses jovens estão numa globalização
viral e dentro desse contexto podem expor ideias e revolucionar o mundo.
A forma de fazer é diferenciada, mas a voz que outrora berrava
nas ruas, hoje escreve blogs sobre ideais e ideias para centenas de pessoas.
Assim surgem novos heróis de uma sociedade bastante bipolar (ora
eufórica, ora depressiva), onde o exército de um homem só,
participa do jogo de mostrar ao mundo quem é, o que pensa, como
pensa e por que pensa dessa forma.
O antigo homem, que segurava a vela e vivia na introspecção,
certamente levaria um grande susto ao poder enxergar blogs de desabafos
e críticas sociais, comunidades digitais onde pessoas expõem
uma questão em comum e debatem-na; rostos sorridentes no youtube
dizendo o que pensam... somando números de visitações.
Mas quem está correto?
O homem extrovertido de hoje e um tanto narcisista ou o homem introspectivo
de antes?
Acho que falta equilíbrio entre essas duas formas de subjetividade.
Nós precisamos de mais contato ocular, de mais interação
real e não apenas virtual e de menos exibicionismo.
Mas por outro lado, não precisamos nos fechar em cartas que
apenas revelam para nós mesmos o que queremos ser e dizer, pois
a voz precisa ser gritada para que o ser humano encontre dentro
de sua própria subjetividade uma forma de desabafo.
Dessa forma, não podemos cobrar das novas gerações
atitudes que contradigam a sociedade atual, mas é preciso que essa
forma de se expor para o mundo seja feita com responsabilidade e ética.
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