Cyber Saúde Mental
Seção dedicada a responder e-mails relacionados à saúde mental

Como faço para parar de tomar antidepressivo?
por Joel Rennó Jr.

Tomo há vários anos e não consigo sair. Será que meu organismo já se viciou? Vou sofrer com depressão o resto da vida?

Resposta: Em primeiro lugar, quero deixar claro que antidepressivo não causa dependência. O que ocorre é que algumas pessoas têm a forma crônica da síndrome depressiva, com períodos de melhora alternados com períodos de piora. A depressão, do subtipo recorrente, é um exemplo assim.

A depressão pode exigir controle contínuo, com avaliações psiquiátricas regulares. Em algumas situações, pode ser necessário a troca ou associação de medicamentos; ou até o ajuste de dosagens.

Aspectos psicológicos também precisam ser trabalhados através da psicoterapia que auxilia muito na elaboração de conflitos intrapsíquicos, na mudança de foco dos pensamentos automáticos negativos perante situações vitais estressoras e também mudanças de comportamento e hábitos de vida essenciais para a plena recuperação e reabilitação psicossocial dos pacientes.

A depressão não pode ser subtratada, com a persistência de sintomas residuais, apesar da melhora clínica. O tratamento exige a remissão completa dos sintomas.

Converse sempre com o médico psiquiatra que a acompanha. Isso é o mais importante sempre!

Uso de antidepressivo na gravidez faz mal?

Resposta: Bem, o uso de antidepressivo na gravidez deve ser discutido com o médico que a acompanha. Geralmente, os inibidores seletivos da recaptura de serotonina (fluoxetina, sertralina, paroxetina, etc) possuem segurança razoável. É fundamental, porém, a avaliação e conhecimento dos riscos e benefícios envolvidos a você e ao bebê, após diálogo amplo com o seu médico.

A psicoterapia cognitivo-comportamental também é um instrumento importante do tratamento. Costuma ter bons resultados.

O que fazer para restaurar as forças espirituais e a saude mental?

Resposta: Eu sempre falo às pessoas que as soluções são sempre individuais e devem ser adequadas ao funcionamento psíquico peculiar de cada ser humano. Não acredito, com a experiência clínica de milhares de pacientes atendidos, em soluções universais e mágicas. Sou crítico em relação aos livros de auto-ajuda, alguns com frases de efeito até bonitas e que satisfazem aos anseios coletivos, porém, impraticáveis quando as pessoas têm um quadro de depressão ou ansiedade mais grave.

É fácil falarmos (na teoria) em mudança de foco de pensamento (buscando pensar de forma positiva perante situações ou eventos vitais negativos), em mudança de hábitos de vida, em prática de atividades físicas regulares e tempo para lazer, em alimentação saudável, em atividades de lazer com a família e amigos, em leituras, em atividades de voluntariado, em convívio com animais domésticos de que se gosta, além de práticas religiosas ou busca de psicoterapia. O mesmo para meditação e técnicas de relaxamento. Por mais incrível que se pareça, as pessoas que não conseguem colocar em prática as dicas de alguns gurus, são taxadas de preguiçosas, incompetentes ou inúteis. Portanto aumenta-se o preconceito mais ainda e com muita discriminação. Os meus pacientes falam muito sobre tais temas comigo. O complexo é adaptarmos tais condutas de acordo com as especificidades e necessidades de um indivíduo em questão.

O desafio é um bom profissional, com seriedade e respeito aos limites individuais de cada pessoa, conseguir ajudar a pessoa em questão a romper suas barreiras e limites. Temos muito falsos 'gurus' que na prática, quando se vêem perante casos difíceis, não conseguem colocar em prática os seus pensamentos apregoados e exaustivamente repetidos.

A saúde mental exige um conhecimento aprofundado e deve ser exercida por psiquiatras (médicos) e psicólogos bem formados nesta área de atuação. Caso contrário, é melhor o profissional encaminhar o paciente, uma vez que quadros psiquiátricos tratados inadequadamente geram inúmeros prejuízos coletivos e individuais.

Artigos relacionados - clique no título

Quais os efeitos dos antidepressivos em longo prazo?

Antidepressivos podem causar perda ou falhas de memória?

Existe relação entre consumo de antidepressivo e desempenho sexual?

Por que maioria dos sintomas físicos de depressão é de dor

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

Clique aqui
e compre o livro
Mentes Femininas - A saúde mental ao alcance da mulher

Descrição: O objetivo deste livro é auxiliar e ensinar todas as mulheres sobre a saúde feminina. Como alguns problemas surgem e o que fazer para evitá-los. E, se surgirem, como curá-los e a quem procurar. O livro trata de assuntos como TPM, menopausa, ansiedade, depressão entre muitos outros.

Leia mais - clique aqui

Colunas relacionadas:
MenteLuiz Alberto PyMente na Terceira IdadeComportamento
para ler artigos anteriores
este artigo para um amigo
Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
>> Mais informações >>
Clique aqui para falar com Joel Rennó Jr.
para a página principal