Cyber Saúde Mental
Seção dedicada a responder e-mails relacionados à saúde mental

Existe relação entre consumo de antidepressivo e desempenho sexual?
por Joel Rennó Jr.

"Prescrever psicotrópicos de forma criteriosa e correta é um assunto que poucos médicos dominam"

Meu marido parou de tomar antidepressivos (Pondera) de uma vez, sem respeitar a diminuição das doses, se recusando a frequentar o consultório médico. Percebi uma queda em seu rendimento sexual, como falta de vontade, por exemplo. Isso pode ser consequência da retirada súbita do antidepressivo?

Resposta: Alguns antidepressivos podem interferir no desejo sexual, no tempo de ejaculação dos homens (retardo de ejaculação) e até na ereção. A paroxetina citada é um desses antidepressivos.

Síndrome de descontinuação

Quando o antidepressivo é parado abruptamente, podem ocorrer sintomas como insônia, agitação, depressão, irritabilidade, alterações do apetite, tonturas, ansiedade, náuseas e sudorese entre outros – a conhecida “Síndrome de Descontinuação”. Isso não significa que a pessoa se tornou dependente do antidepressivo como alguns afirmam; apenas é consequência da parada abrupta, sem orientação médica adequada.

Recebo muitas perguntas no Vya Estelar de pessoas que já fazem uso de medicamentos psicotrópicos (antidepressivos, estabilizadores de humor, ansiolíticos e antipsicóticos), envolvendo assuntos que deveriam ser esclarecidos nas próprias consultas médicas que as pessoas realizam. Isso envolve os dois lados: muitos pacientes sentem-se tímidos ou envergonhados em fazer determinadas perguntas aos seus médicos de referência, sentem-se inseguros com a qualidade das informações prestadas pelos profissionais e até se autoprescrevem medicamentos.

Por outro lado, alguns médicos também deixam de transmitir informações fundamentais para os seus pacientes nas consultas realizadas, seja por falta de vontade, interesse, conhecimento ou negligência. Prescrever psicotrópicos de forma criteriosa e correta é um assunto que poucos médicos dominam. Vivencio isso na minha prática clínica, assim como inúmeros outros colegas psiquiatras que pensam ou falam o mesmo. Essa é uma distorção que precisa ser corrigida, de forma bilateral. Ir ao consultório médico não significa jamais pegar apenas receitas de uso controlado. Aspectos biológicos, psicológicos e sociais das doenças mentais e vidas das pessoas precisam ser pormenorizadamente analisados.

Como o seu marido parou de tomar antidepressivo de forma abrupta, sem orientação (“muitos pacientes falam que não querem ficar tomando medicamento pelo resto de suas vidas e radicalizam”) nunca podemos deixar de lembrar que os sintomas depressivos podem ter voltado. É comum na depressão haver também uma diminuição do desejo sexual, no meio de outros vários sintomas como tristeza, desânimo, cansaço, alterações do sono e apetite e dificuldades de atenção e concentração. Sugiro que ele volte ao médico de referência e avalie todo o processo vivido na atualidade.

SERVIÇO

WebMeeting gratuito: Prof. Dr. Joel Rennó Jr. apresenta atualização científica sobre terapêutica da TPM - clique aqui

Artigos relacionados - clique no título

>>> Pode-se tomar antidepressivo durante a gravidez?

>>> Quais são os principais fatores que afetam a saúde mental da mulher?

>>> É possível sair de depressão sem tomar medicamentos?

>>> O que fazer para restaurar a saúde mental?

ATENÇÃO

As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento.



Colunas relacionadas:
Saúde Mental Luiz Alberto Py Mente na Terceira Idade Cyber Drogas
para ler artigos anteriores
este artigo para um amigo
Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
>> Mais informações >>
Clique aqui para falar com Joel Rennó Jr.
para a página principal