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Quais os efeitos dos antidepressivos em longo prazo?
por Joel Rennó Jr.

Quais efeitos colaterais os antidepressivos causam a longo prazo?

Resposta: Os antidepressivos são medicamentos ou drogas que agem no sistema nervoso, cuja função é normalizar o fluxo de neurotransmissores, que são moléculas responsáveis pelo impulso nervoso de um neurônio para o outro. Os neurotransmissores saem de um neurônio, atravessam a sinapse (espaço entre dois neurônios) e ativam os receptores do neurônio seguinte. Os neurotransmissores mais importantes são: serotonina, noradrenalina, dopamina, acetilcolina e GABA.

Os mecanismos de ação são distintos de um antidepressivo para outro. Há várias e diferentes classes. Há os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram e o escitalopram). Há os antidepressivos que inibem a recaptura tanto de serotonina, quanto de noradrenalina, conhecidos como os de duplo mecanismo de ação (venlafaxina, milnaciprano e duloxetina). Há outros antidepressivos que também atuam sobre outros neurotransmissores.

Os efeitos colaterais variam de acordo com a classe ao qual o antidepressivo pertence e também de acordo com a tolerância de cada pessoa. Os antidepressivos mais antigos, conhecidos como tricíclicos (clomipramina, imipramina, amitriptilina) costumam dar mais efeitos colaterais que os mais recentes (inibidores da recaptação de serotonina e os de duplo mecanismo de ação).

Efeitos colaterais

Entre os efeitos colaterais (variável de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo de antidepressivo utilizado) que podem ocorrer temos: alteração do sono e apetite, alterações gastrintestinais (diarréia ou obstipação intestinal), retenção urinária, alergias de pele, sudorese, diminuição da libido ou retardo da ejaculação, aumento ou diminuição de peso, náusea, tontura, tremores. Inclusive, alguns deles de forma paradoxal, podem aumentar até a ansiedade e agitação nos primeiros dias de tratamento e por tempo limitado.

Os efeitos colaterais iniciais podem ser contornados e atenuados nos primeiros dias ou semanas de tratamento, o médico deve sempre ser consultado e orientar o seu paciente a respeito. Deve-se evitar a parada da medicação por conta própria. Há pessoas mais sensíveis aos efeitos colaterais, enquanto alguns não os têm. É muito individual.

Em caso da ingestão acidental excessiva, ou mesmo com o intuito de suicídio, é fundamental levar imediatamente o paciente para uma avaliação clínica em um pronto-socorro. Geralmente, dependendo da avaliação clínica e do tempo decorrido da ingestão do medicamento, uma lavagem gástrica com carvão ativado é realizada.

Em casos de intoxicação com alterações cárdio-respiratórias e do nível de consciência, pode até ser necessária a internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Geralmente, os antidepressivos atuais são mais seguros que os antigos (tricíclicos), mesmo em ingestões consideráveis.

ATENÇÃO

As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento


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Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
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