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Por que não respondo aos antidepressivos? |
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| por Joel Rennó Jr. | |||||||
Tenho tentado esclarecer isso para as pessoas. Entendo o desespero justo delas, mas não conseguem imaginar o quanto uma especialidade complexa como a psiquiatria é difícil. Não há receita de bolo, tem todo um processo de formação e especialização envolvidos. Tem a análise clínica e psiquiátrica individual. Digo isso porque enumero algumas dessas possibilidades: 1ª) O diagnóstico psiquiátrico é mais complexo do que as pessoas leigas e até alguns médicos generalistas imaginam. Há vários subtipos diferentes de depressão e outros distúrbios de humor, com níveis de gravidade distintos. Algumas síndromes psiquiátricas distintas podem ter sintomas semelhantes. 2ª) Muitos pacientes, cerca de 60%, recebem antidepressivos prescritos por médicos de outras especialidades e não por psiquiatras. Isso pode também prejudicar o tratamento. Alguns pacientes se automedicam e até indicam tratamentos possíveis para familiares e amigos. Já vi muito disso na prática. Um erro absurdo. Banalizam o uso de antidepressivos. 3ª) Quando as pessoas falam que tomaram vários antidepressivos e não melhoraram temos de ter muito cuidado, até porque esses medicamentos não funcionarão mesmo, se não houver um diagnóstico psiquiátrico correto, dosagens adequadas dos medicamentos, tempo de permanência no tratamento adequado. A adesão do paciente ao tratamento, sempre se comunicando com o médico em caso de efeitos colaterais, é fundamental. As consultas devem ser periódicas, mensalmente. 4ª) É bom que as pessoas saibam que mesmo tomando adequadamente os medicamentos, não são todos os pacientes que respondem favoravelmente aos antidepressivos. A resposta completa ocorre em cerca de 65% a 70% dos pacientes. A associação com técnicas de psicoterapia comportamental, cognitiva, familiar sistêmica e interpessoal é importante. Jamais, só o tratamento medicamentoso isolado é suficiente. 5ª) Por fim, o que sempre falo. O conhecimento científico atual sobre depressão, uma doença neurodegenerativa, ainda é limitado. Há muitas outras hipóteses fisiopatológicas da depressão sendo estudadas no momento - os modelos atuais são simplistas e reducionistas. A questão que envolve os neurotransmissores, entre eles, a serotonina, é apenas um dos aspectos envolvidos nas possíveis causas da depressão. Estudos genéticos, de neuroimagem e biomoleculares nos trarão, em breve, novidades importantes. O breve em ciência pode significar um período entre 5 a 10 anos. É importante também que as pessoas entendam que aspectos psicossociais e de personalidade podem colaborar na manutenção ou piora da depressão, mesmo com medicamentos. O que fazer quando não se obter resultados com os antidepressivos? Procurar um psiquiatra bem indicado, idôneo e de confiança.
Para se ter o tratamento correto e eficaz, em primeiro lugar, é necessário o diagnóstico precoce e correto feito pelo especialista. O termo “depressão” é empregado na atualidade de forma muito generalizada, até para expressar um sentimento de tristeza ou luto. A depressão pode ter comorbidades, ou seja, associações com outros transtornos mentais; isso é difícil para o médico generalista detectar também. Necessita de um acompanhamento constante; alguns medicamentos podem ter de ser retirados ou ajustados em termos de dosagem no decorrer do tratamento. Como já disse, o diagnóstico de psiquiatria é clínico, a classificação dos diversos transtornos mentais é feita por categorias de sintomas; daí termos também síindromes psiquiátricas distintas com sintomas semelhantes, o que pode causar um erro diagnóstico. Só mesmo quem estudou, com profundidade, técnicas de exame psíquico aliado a um conhecimento apurado de psicopatologia é que tem condições de avaliar tudo isso apropriadamente. Atenção! Esse texto e esta coluna não substituem uma
consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não
se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas
sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas
diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.
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