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Coluna
Mente na 3ª Idade -Informações sobre funcionamento
da mente e mémoria na terceira idade e gerontologia
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Entenda a relação entre memória, aprendizado e envelhecimento
Por Elisandra Villela G. Sé
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Todo
nosso aprendizado depende intimamente da memória. Não aprendemos
nada sem ela. A memória está presente em todas as funções
da mente humana. A aprendizagem trata-se do primeiro estágio da
memória, ou seja, é a fase da aquisição de
informações a serem memorizadas.
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É
possível superar limitações biológicas do
processo de envelhecimento
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A
memória sensorial que é a memória dos sentidos, como a
memória auditiva, memória visual são as principais para
o aprendizado. Todas as informações entram pelos nossos sentidos.
Aprendizado é um processo sensório-perceptivo, trata-se de um
registro de informações através dos sentidos e conseqüente
armazenamento e tratamento das informações que se transformam
em conhecimentos. Desta forma, a memória sensorial é a chamada
memória primária. A memória auxilia na aquisição
e armazenamento de conhecimentos para o indivíduo pensar e agir sobre
o ambiente.
Todas a habilidades que temos para desempenhar tarefas no dia-a-dia são
capacidades ou competências que adquirimos com algum tipo de aprendizado.
Tudo na vida é aprendido. A aprendizagem envolve percepção,
decodificação, comparação e memorização,
e se dá por meio das nossas práticas sociais e culturais. É
através das nossas ações e da organização
social que nós nos desenvolvemos, utilizando instrumentos para manipular
objetos, se adaptar e assegurar nossa sobrevivência.
A manipulação de instrumentos e ferramentas nos permite adquirir
experiências e conhecimentos do mundo que são armazenados na nossa
memória de curto prazo, ou seja, nossa memória para informações
mais provisórias e depois transferidas para a memória de longo
prazo, isto é quando as informações são tratadas,
reformuladas e armazenadas numa memória mais permanente.
O aprendizado pode se dar de maneira explícita ou implícita. O
aprendizado explícito envolve evocação de palavras, já
o aprendizado implícito não envolve a declaração,
a enunciação daquilo que você está aprendendo ou
aprendeu. A memória operacional, que é a memória de trabalho,
auxilia no aprendizado. É uma memória intermediária entre
a memória de curto prazo e memória de longo prazo. A memória
de trabalho nos dá a oportunidade de manipular ferramentas, instrumentos,
com as nossas práticas e adquirir informações e conteúdos
para depois utilizarmos no cotidiano. Tais conteúdos podem ser falados
(memória episódica) ou não (memória de procedimento).
A memória de curto prazo e longo prazo podem ter processos independentes
e também em paralelo. Não existe uma via de mão única
ao tratarmos aprendizagem e memória. Quando estamos aprendendo uma tarefa
ou adquirindo informações por meio da leitura, por exemplo, ativamos
outros conhecimentos já guardados na nossa memória de longo prazo.
Ativamos e selecionamos o que já adquirimos para utilizarmos em novos
processos de aprendizagem, por exemplo o nosso vocabulário, significados,
experiências, etc.. O que existe é um constante ir e vir das memórias
ao aprender coisas novas.
Assim, a memória não é um local passivo de estocagem de
informações. Ela é um processador de informações.
É a memória que ajuda vir a saber. Quanto mais manipularmos objetos,
viver num ambiente rico em estímulos, se relacionar com as pessoas, resolver
problemas e experenciar eventos diferenciados, mais nossas habilidades vão
se transformando e tomando forma de conhecimentos mais sofisticados. É
com a ação da repetição e diferenciação
de experiências que a memória auxilia no aprendizado e atinge sua
eficiência.
Com o processo de envelhecimento as pessoas idosas podem apresentar suas capacidades
de aprendizado um pouco diminuídas em relação aos jovens.
Entretanto, ao falarmos da capacidade de aprender de jovens e idosos, muitas
diferenças fazem a diferença durante o aprendizado. Aprender algo
depende não só de fatores biológicos, mas também
da personalidade, da motivação, dos estados afetivos, do estilo
de vida, de fatores socioculturais, das crenças pessoais sobre a capacidade
e das metas de vida.
Idosos podem ter suas capacidades de aprendizado diminuídas, porém
se pessoas adultas e idosas podem apresentar elevado grau de especialização
intelectual, e desempenhos bastante competentes para várias atividades
devido à influência da cultura, dos estímulos que receberam,
que os permitem superar as limitações biológicas do processo
de envelhecimento. Por isso é que diferentes capacidades são adquiridas
e desenvolvidas de maneiras diferentes, para diferentes pessoas em diferentes
momentos com diferentes resultados. Os conteúdos aprendidos e memorizados
dependem de como foram aprendidos e de como foram guardados. Esta é a
diferença que faz a diferença ao falarmos de memória e
aprendizado.
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Elisandra
Villela G. Sé é Fonoaudióloga, Mestre em Gerontologia
e Doutoranda em Lingüística Mais informações - clique aqui |