| "Para essas pessoas que vampirizam
as amizades, os ambientes de trabalho, as relações afetivas,
você não passa de um suculento "pescoço"
(objeto de desejo) e de "sangue fresquinho" (nova conquista).
Acredite, esse tipo de "vampiro" é muito mais comum
do que você possa imaginar, assim como é incrivelmente
comum o número de pessoas que se deixam "vampirizar"
porque em um mundo tão distante e carente" |
Nós, que nascemos para viver em sociedade,
convivemos hoje com um tipo de sociedade muito diferente daquela
em que nossos ancestrais exercitavam a conviviabilidade.
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Claro que sempre houve competição no mundo, mas também
é evidente que sua proporção, intensidade e insanidade
cresceram em função do tempo, razão pela qual o individualismo
é hoje muito mais frequente que em épocas não tão
remotas da própria sociedade brasileira.
Isso explica o sucesso das redes sociais na internet: as pessoas se sentem
solitárias, sem tempo, e às vezes sem disposição
para o convívio real, mas continuam com a necessidade humana básica
de estabelecerem laços e estarem "conectadas". A tecnologia
une as pessoas, não da mesma maneira que as relações
não virtuais, mas une. Deve ser encarada como complementar, não
suplementar. Deve aproximar as pessoas e não apenas "criar"
conveniência para um encasulamento. A necessidade de dividir fotos,
trechos de livros, filmes e músicas com as outras pessoas da comunidade
virtual expressa um desejo de identidade em um "mundo sem rosto"...
Esse excesso de competição, individualismo e falta crônica
de tempo livre, explicam ao menos em parte, muitos dos fenômenos
atuais, como por exemplo o sucesso de filmes como Crepúsculo
(2008/EUA), direção de Catherine Hardwicke.
Por que o filme estrelado pelo ator inglês Robert Pattinson e pela
atriz americana Kristen Jaymes Stewart cativa tanto o público?
Ou melhor, porque as mulheres saem tão emocionadas do cinema ao
ponto de quererem "um vampiro para chamar de seu"?
O tema dá para uma tese de mestrado, mas vamos lançar apenas
algumas reflexões...
Em primeiro lugar o tema do filme não é os vampiros, isso
é a fachada, o tema é o amor, afinal não se trata
de um vampiro qualquer, mas de um vampiro-herói, que cuida, protege
e ama. Ele se importa. E isso faz toda a diferença! É isso
que especialmente comove o público feminino. Mulheres, por mais
fortes e decididas que sejam, desejam alguém que as proteja e se
importe verdadeiramente com elas.
A segunda questão envolve os aspectos psicológicos (arquétipos)
contidos nos vampiros: a sexualidade, a tensão e o risco da paixão
extrema e perigosa, onde se expõe o próprio "pescoço"
e se entrega o próprio "sangue", uma paixão que
evidencia seus aspectos patológicos de vida e morte. Os vampiros
são tratados na literatura e no cinema como profundamente sedutores,
misteriosos e, à sua maneira, encantadores, pelo menos para quem
se identifica...
Na literatura e nos filmes sempre encontramos as pessoas que querem ser
mordidas pelos vampiros, querem viver essa intensa emoção
de vida e morte, desejam viver a sedução e penetrar no mundo
do mistério e, não raro, da fusão com o outro (desejo
interior, embora perigoso, de todos os amantes).
O vampiro de Crepúsculo parece-se mais com o doce vampiro
de Rita Lee.
No fundo, as pessoas andam muito carentes, e se encontram alguém
que se importe e pareça as proteger, se entregam de maneira irracional
e inconsequente.
Lembre-se que fora das telas existem vampiros reais, vampiros emocionais
que não amam, não se apaixonam, não protegem de verdade
e estão apenas interessados no que os favoreça.
Para essas pessoas que vampirizam as amizades, os ambientes de trabalho,
as relações afetivas, você não passa de um
suculento "pescoço" (objeto de desejo) e de "sangue
fresquinho" (nova conquista). Acredite, esse tipo de "vampiro"
é muito mais comum do que você possa imaginar, assim como
é incrivelmente comum o número de pessoas que se deixam
"vampirizar" porque em um mundo tão distante e carente.
Ter um vampiro para chamar de seu, parece uma opção válida,
mas não é...
Vampiros poéticos como Edward são pouco prováveis
na vida real. Vampiros reais são sempre vampiros predadores e,
assim como os escorpiões, à primeira oportunidade, manifestam
sua essência e seus reais interesses. Como dizia nossa avó:
mais vale estar só que mal acompanhado. Não saia por aí
expondo sua jugular a qualquer um que se ofereça a cuidar de você!
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