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Coluna Comportamento
- Oriente-se pela psicologia e cultive sua auto-estima |
Vida
a dois: o outro não tem atitude; saiba o que fazer
Por Rosemeire Zago
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A maioria das queixas que recebo no consultório é sobre a decepção que as pessoas nos causam, principalmente nos relacionamentos afetivos e todos buscam entender as possíveis causas. É claro que não podemos responder por ninguém, mas podemos refletir um pouco sobre o assunto. |
Mude
de atitude, considere
sua realidade e não as ilusões que você criou em função
de suas necessidades
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Quantas vezes
você esperou que alguém tivesse uma atitude numa determinada situação
e se decepcionou porque a pessoa nada fez, ou ainda, se fez, foi algo que estava
longe do que esperava? Todos nós sabemos que criar expectativas é
o melhor caminho para a decepção, mas qual de nós não
espera ser reconhecido, valorizado, não só por aquilo que faz,
mas principalmente por aquilo que é? Sim, nós mesmos devemos nos
aprovar, reconhecer e aceitar, mas há relação sem troca?
O ser humano precisa de quatro condições básicas para viver:
atenção, admiração/reconhecimento, afeto/amor e
aceitação.
Ao recebermos isso daqueles que nos são caros e, principalmente da pessoa
amada, muitas de nossas necessidades são satisfeitas, mas quando não
recebemos, nos sentimos sem valor algum e assim tudo fica vazio, sem sentido
de existir. Claro que não podemos nem devemos colocar nosso valor enquanto
pessoa nas mãos de alguém, mas quem não espera um abraço
num momento de dor? Uma mão estendida quando perdido? Uma palavra amiga
quando nos sentimos fracos? Um singelo e simples "obrigado" por tudo
que se fez pelo outro? Qualquer necessidade que temos, principalmente nossas
necessidades emocionais quando não supridas, geram insatisfação,
decepção, e alguns conflitos internos quem nem sempre percebemos.
E quando isso ocorre é inevitável que nos sintamos desamparados
e totalmente perdidos.
O que mais queremos é que a pessoa que amamos esteja ao nosso lado incondicionalmente,
que chegue o mais perto possível daquilo que esperamos e sentimos em
nosso coração, e quase sempre, suas atitudes, ou a falta delas,
se fazem tão distantes de nós e daquilo que necessitamos, e neste
momento constatamos uma cruel realidade: estamos sós! Sós na dor,
no sofrimento, na busca por uma saída ou um caminho menos doloroso. Queremos
alguém que nos salve! Nos tire desse lamaçal de sofrimento. Mas
quem poderá fazer isso por nós?
Muitos de nós pedimos e esperamos tão pouco, que até esse
pouco algumas pessoas são incapazes de nos dar: um abraço, uma
atenção, uma palavra, carinho, compreensão, apoio, exatamente
num determinado momento que mais precisamos. E ao nos sentirmos sozinhos, literalmente
abandonados, entramos em desespero e começamos a cobrar, alguns chegam
a exigir aquilo que não estão recebendo, tornando o relacionamento
insuportável para ambos. Muitas vezes nos esquecemos que cada um dá
aquilo que tem. Será que adianta pedir, implorar por algo que não
veio espontaneamente? Algumas pessoas dizem amar e sequer percebem o pedido
de socorro daqueles que gritam por amor e atenção. E esse grito
pode se transformar em diversas formas de amenizar uma dor, seja comendo, bebendo,
dormindo, trabalhando excessivamente, enfim, tentando fugir do que tanto dói.
Tudo para preencher um vazio que nada parece conseguir preencher.
Na verdade, quem não consegue se doar, ouvir o outro, é porque
não consegue ouvir nem seu próprio sussurro numa noite silenciosa.
Ignora o outro na mesma proporção que ignora a si mesmo. Algumas
pessoas ao longo do tempo se tornam agressivas como uma forma, ainda que inconsciente,
de se defenderem. Mesmo desejando uma palavra amiga, só sabem devolver
agressão, talvez a mesma que receberam em algum momento de suas vidas,
mas ninguém quer ser saco de pancadas de ninguém, não é
mesmo? Nem sempre o que se expressa em palavras representa o que é sentido
verdadeiramente, mas como vamos diferenciar se o que foi dito é sincero
ou e é apenas um desabado de dor? Só sabemos que nos machucam!
Às vezes machucam para sempre, por mais que se possa perdoar, a cicatriz
permanecerá.
E assim, choramos em lágrimas e em lágrimas, acabamos por adoecer.
Sentimos a dor em nossa alma e mesmo quando olhamos ao lado e vemos que há
alguém, e ainda assim nos sentimos completamente sozinhos, nos sentimos
mais desvalorizados, menosprezados e assim, mais machucados ficamos. Nos sentimos
sós no amor que expressamos, na dor que sentimos. Sós na atenção
esperada e no desprezo recebido. Sofremos sim, quando esperamos atenção
que nunca recebemos, em palavras que nunca se transformam em atitudes que se
concretizam. E passam minutos, horas, dias e meses que se transformam em anos
e continuamos a permitir que nosso sofrimento se estenda. Por quê? Pela
falta de atitude do outro? Não!
Sofremos pela nossa própria falta de atitude ao aceitarmos que tal situação
se mantenha. Sofremos quando somos rígidos e resistimos em mudar! Sofremos
quando não temos coragem de dizer "basta"! Sofremos quando
insistimos em manter um relacionamento por medo de ficarmos sós, mesmo
quando já estamos sozinhos por anos. Sofremos quando não nos sentimos
amados, não recebemos atenção, não nos sentimos
importantes, quando nossas necessidades e nossos sentimentos não são
respeitados. Mas sofremos muito mais quando nos sentimos incapazes de dar tudo
isso a nós mesmos, independente da situação externa.
Enquanto esperar que o outro enxugue suas lágrimas, te dê um abraço
ou uma palavra de esperança, te faça acreditar que você
é importante... e, por mais que espere, você nada recebe, pergunte-se:
até quando? Será que não está apenas estendendo
seu sofrimento até um ponto em que não terá mais forças
para sair de onde está neste momento? Será que a hora de reagir
não é agora? Converse com a pessoa que ama, e se perceber que
ela é incapaz de te dar o que tanto precisa, ao menos nesse momento,
reavalie se alguém merece todo seu sofrimento, todas suas lágrimas,
sem sequer se dar conta do quanto te faz sofrer. O outro pode, se quiser, mudar,
mas não podemos nos permitir sofrer tanto, dilacerar nossa alma por quem
não percebe nosso real valor.
Olhe bem dentro de você e lembre de quantas situações difíceis
já conseguiu superar. Essa mesma força ainda está dentro
de você! Busque-a, ainda que esteja muito escondida no meio de tanta dor.
Encontre sua força, sua coragem, determinação, esperança
e faça algo por você, apenas e simplesmente por você! E o
outro? Aprenda com tudo que o que aconteceu, no meio de tanta dor, é
possível sempre aprender e crescer! Considere sua realidade e não
as ilusões que você criou em função de suas necessidades.
Afinal, você quer crescer, ser feliz ou quer continuar chorando e esperando
por aquilo que está tão distante do que você deseja para
sua vida? Só você pode responder!
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Rosemeire
Zago
é psicóloga clínica com abordagem junguiana Mais informações - clique aqui |