| Devemos nos dedicar com entusiasmo
a toda e qualquer possibilidade de diminuir a nossa gigantesca ignorância
a respeito de tudo.
A postura do eterno aprendiz é, ao lado do amor, a maior fonte
de alegria e prazer na nossa existência. Ambas, para serem plenas,
devem estar associadas à postura de servir, ser útil à
vida e às pessoas.
Quanto mais aprendemos, mais se revela a nossa profunda ignorância
sobre as coisas, fato que não deve nos deprimir, mas incentivar
a continuar buscando e aprendendo. Ficarmos deprimidos com aquilo que
não sabemos é perda de tempo e energia. A ignorância
quando reconhecida é a porta de entrada para o conhecimento consciente.
Ignorar é bom quando sabemos que ignoramos, quando não ignoramos
nossa própria ignorância.
Aquilo que não sabemos não deve ser fonte de tristeza, mas
ponto de partida para a felicidade. Descobrir é experimentar um
tipo especial de felicidade. O conhecimento enobrece, liberta e alegra.
A depressão é a ignorância que se entrega enquanto
a sabedoria é a ignorância que entrevista a vida sobre seus
segredos...
O que temos consciência de que não sabemos já podemos
buscar aprender, e isso é ótimo. A área de sombra
está em desconhecer o que não sabemos. A ignorância
que ignoramos é a verdadeira ignorância.
Conviver é vital para desenvolvimento pessoal
Por isso é necessário o convívio com as outras pessoas,
quanto mais diferentes de nós, melhor. Isto é de vital importância
para o nosso desenvolvimento. Através das lentes da diferença,
podemos entrar em contato com aquilo que desconhecemos. O convívio
com o outro revela dimensões da vida e de nós mesmos que
seriam de difícil acesso só pelos nossos caminhos.
O universo do outro, sua forma particular de ver, sentir e viver a vida
pode nos despertar das nossas ilusões sobre o conhecimento das
coisas. Observar que existem múltiplos caminhos para responder
uma questão, resolver um problema e superar uma dificuldade nos
liberta do perigo do pensamento único, da megalomania de acreditar
que temos, não somente as respostas, mas detemos a verdade.
A verdade do outro é um ótimo antídoto para as nossas
ilusões de verdade. Precisamos do outro para enxergar a nós
mesmos de outra perspectiva, menos vaidosa, menos egoísta e narcisa,
desde que o outro seja sincero em sua interação conosco.
Pessoas que nos endeusam não colaboram com nosso crescimento. Quanto
mais eu vivo mais prefiro a crítica sincera ao elogio paternalista.
Cresço com as críticas, me alegro com os elogios (quando
lúcidos), mas me alimento mesmo é do conhecimento que surge
a partir de ambos.
Tanto o elogio quanto a crítica podem estar equivocados, enviesados,
mas o que importa é que trazem novos elementos ao cenário
sob o qual a história viva do conhecimento está sendo escrita.
Conhecer é viver e viver é reconhecer-se. Quem meditar nesta
frase encontrará muito sobre si mesmo.
A ignorância é bela como ponto de partida. Nesse sentido
ela é uma espécie de ingenuidade, uma fome de conhecimento.
A ignorância é cruel como âncora. Como âncora
ela pode fazer com que você fique confortavelmente preso à
segurança do cais. Nenhum barco é construído para
ficar junto ao cais, sua função é navegar.
Nenhum ser humano deve ficar ancorado às suas certezas sem antes
navegar pelos oceanos das possibilidades do conhecimento, considerar e
compreender de maneira empática, outros horizontes, outras culturas,
outras religiosidades, outras escolhas.
A sabedoria não depende de erudição, de formação
acadêmica ou cultura enciclopédica. Sabedoria é um
estado de espírito diante do conhecimento da vida, ela está
presente em pessoas que nunca freqüentaram a escola e ausente em
muitos Ph.Ds. Quantos deles publicam suas falsas certezas, mas têm
medo de publicar suas dúvidas?
| Tenho muito mais receio das certezas que
das dúvidas. Penso que a dúvida já não
seja ignorância, mas início do caminho da sabedoria. |
Até mesmo a fé contém a dúvida, embora a
fé seja a certeza que resta quando todas as outras deixam de existir.
E, mesmo considerando que a fé seja uma certeza além das
certezas, sempre existirá a dúvida: por que caminhos Deus
se manifestará? Sabemos da sua presença e da sua ação,
mas ousaríamos dizer que temos certezas sobre os caminhos que Ele
utilizará diante de determinada situação?
Uma fé verdadeira, mas humilde, reconhece-se impossibilitada
de compreender a plenitude do conceito de Deus e suas possibilidades de
atuação.
Conviver com a presença da dúvida sem utilizá-la
como desculpa e vivê-la como ponto de partida e não uma âncora
é fundamental para ser feliz. Pessoas mergulhadas em certezas ou
em dúvidas se esquecem de tirar a cabeça para fora da “água”
e respirar para continuar vivendo.
A dúvida é amiga do cientista, do artista e de todas as
pessoas que de maneira sincera e humilde se apresentam cheias de perguntas
diante do maravilhoso mistério da Vida.
Ignorar também é bom, desde que reconheçamos a
presença da ignorância. Ignorar a nossa própria ignorância
equivale a uma sentença. Reconhecê-la nos liberta para aprender...
Aqueles que se sentem satisfeitos com sua própria ignorância
e nada fazem pra vencê-la empobrecem sua vida e o mundo. Somente
os insatisfeitos e inquietos com suas dúvidas, somente os que buscam
o conhecimento podem ajudar a construir um mundo melhor, primeiro o mundo
interior e, na seqüência, o mundo ao seu redor.
Conhecer é viver e viver é reconhecer-se!
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