| "Pessoas autênticas
não administram suas vidas pela opinião da média,
que muitas vezes é sinônimo de “massa” e
mediocridade. Pessoas autênticas seguem seus próprios
valores, não os alheios" |
Durante muito tempo a sociedade recriminou e foi
muito preconceituosa com pessoas que optavam por não se casar.
Homens que não se casavam tinham sua escolha sexual questionada,
duvidava-se da sua masculinidade. |
Mulheres que não se casavam estariam na categoria das mulheres
que “não serviam para casar”, eram consideradas promíscuas,
do tipo “fácil”; mulheres que, por opção,
não tinham filhos eram olhadas como destituídas de instinto
maternal, espécies de “traidoras” da natureza.
A história da sociedade humana é muito mais a história
do preconceito, que qualquer outra. Mas os tempos vão mudando e
algumas questões vão se suavizando, vão perdendo,
gradualmente, o estigma.
Hoje, a presença no grupo de amigos, de homens e mulheres que optaram
por não se casar e/ou não ter filhos, é vista com
maior naturalidade. Isso não impede que as dúvidas remanescentes
apareçam, todas as vezes que surge a pergunta: Você é
uma pessoa tão bonita, inteligente e interessante, por que mesmo
você não se casou?
Parece ainda pairar no ar que pessoas que optaram por viver “sozinhas”,
devem de alguma forma apresentar “algum tipo de problema”.
Basta ser diferente da maioria, em qualquer quesito e você sempre
será visto como exótico, problemático e mal ajustado.
O “grupo” quer que você siga as regras de seus membros,
não segui-las será sempre sinônimo de anomalia. Bom,
anomalia é aquilo que não é normal, ou seja, não
ocorre na maioria das vezes (conceito derivado da estatística –
curva normal). O fato que uma coisa não ocorra na maioria das vezes,
também pode ser compreendido como algo raro, portanto de especial
valor, original, autêntico.
Pessoas autênticas não administram suas vidas pela opinião
da média, que muitas vezes é sinônimo de “massa”
e mediocridade. Pessoas autênticas seguem seus próprios valores,
não os alheios.
O casamento é uma vocação que alguns possuem, outros
não; alguns poderão desenvolver, outros jamais...
E não existe nada de errado em optar por viver sozinho ou manter
relacionamentos afetivos em modelos que diferem do casamento tradicional.
É muito mais saudável manter relações afetivas
com a pessoa que você ama ou por quem está apaixonado, mesmo
que vocês vivam vidas independentes e autônomas, que viver
um casamento de aparências, onde as pessoas se toleram, muito mais
do que convivem.
Há muitas formas de compartilhar amor e afetividade, o casamento
é apenas uma delas. Da mesma forma, há muitas maneiras de
constituir família, já que a verdadeira família não
é determinada pela genética ou consanguinidade, mas pelo
vínculo afetivo autêntico, pelos laços emocionais
e espirituais.
Filhos adotados podem ser tão ou mais filhos que os obtidos através
das relações sexuais entre os parceiros e, não duvide
que pais solteiros possam educar filhos tão bem ou melhor que outros
casados – o critério não é o tipo de documento
ou relação entre os pais, mas a qualidade e intensidade
do vínculo que eles mantêm.
Conheço pessoas que optaram por não se casar e formaram
uma família de amigos tão intensa e tão verdadeira,
que jamais estão sozinhos. Nesses casos as relações
não são de obrigação ou de imposição
social, são baseadas na reciprocidade, no compartilhamento da vida
e suas particularidades.
Efetivamente, viver “sozinho” é um a opção
plenamente válida. Válida e corajosa, porque só quem
esta muito bem consigo, vive bem a “solidão”.
Solidão só existe para os que se isolam; há muitos
solitários em famílias consanguíneas e casamentos
tradicionais; e há pessoas intensamente unidas, que optaram por
não se casar ou ter filhos.
Casamento é vocação. Ser pai e mãe, também.
Maravilhoso é observar que no mundo há espaço e razão
todas essas variedades de opções e estilos de seres humanos.
Não se cobre por não ser igual aos outros – se tiver
que se cobrar, cobre-se por não ser diferente...
Antes de qualquer outro casamento, case-se com sua autenticidade; e antes
de ter filhos, certifique-se de que a humanidade é sua família
e que suas obras, ideias e o fruto do seu trabalho, também são
filhos da sua alma.
Seja feliz, dedique-se aos diferentes tipos de famílias e casamentos,
viva intensamente suas amizades... Duvido que você encontre tempo
para ser só.
E se for a sua vocação: case e/ou tenha seus filhos –
a humanidade também precisa desse caminho. Afinal, foi através
dele que eu e você chegamos até aqui...
Nenhum ser que tenha descoberto a si mesmo estará só, mesmo
quando sozinho. A vida é mesmo mágica.
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