| Quando pensamos no Natal, sentimos
no ar uma atmosfera especial. Não é pelas festas, não
é pelos presentes... É pelo Aniversariante.
Nos aniversários costumamos dar presentes aos aniversariantes...
Mas que presente dar a Jesus?
Mesmo que você não seja cristão, esta reflexão
também se aplica, afinal a mensagem de Jesus não se dirige
apenas aos cristãos, ela é universal.
Uma prova disso é que um dia, Mahatma Ghandi, cuja religião
era o hinduísmo, disse:
“Se perdêssemos todos os livros sagrados do mundo e salvássemos
apenas as doze linhas do Sermão da Montanha, não teríamos
perdido nada. Mesmo não sendo cristão eu admiro muito a
Jesus!”
Quando damos presentes a um aniversariante querido, um amigo, uma amiga,
não nos importamos se ele possui a mesma religião, a mesma
etnia ou a mesma preferência sexual que nós manifestamos.
Se a pessoa em questão é nossa amiga, isso basta.
Jesus é o Divino Amigo de todos nós, Ghandi foi advogado
da causa da humanidade e a sua proposta de não-violência
(ahimsa) beneficiou a todos.
Se fôssemos dar um presente de aniversário a Ghandi, provavelmente
lhe ofereceríamos um presente que representasse a não-violência.
E para Jesus? Que presente de aniversário ofereceríamos?
Os recentes acontecimentos climáticos que abalaram Santa Catarina
talvez nos ofereçam a resposta. Muito mais rápido que o
governo e as demais autoridades, muito mais rápido que as redes
de rádio e televisão, agiram as pessoas comuns, pessoas
que na linguagem cristã denominaríamos de “os semelhantes”
e o “próximo”.
Há vários tipos de “semelhantes” e de “próximos”...
Há os semelhantes que se assemelham e, por estarem vivendo a mesma
situação, manifestam uma solidariedade quase que espontânea,
fruto da empatia de estarem vivendo dores e traumas profundamente similares.
Mas, mesmo nesse primeiro caso, vale observar que essas pessoas agiram
baseadas na fraternidade e não motivadas por egoístas reações
do tipo “primeiro eu, minha família e minhas coisas”.
Presenciamos casos de pessoas que perderam muitos de seus bens, exatamente
enquanto ajudavam seus vizinhos a salvarem os deles! Esse é um
exemplo maravilhoso de desprendimento, de amor incondicional ao próximo.
Há os semelhantes que mesmo sem estarem vivendo uma situação
idêntica ou parecida já treinaram a mente e o coração
nas disciplinas da empatia, do amor e da solidariedade e “entendem”
a dor do outro, mesmo sem terem vivenciado algo parecido. Para as pessoas
de bom ânimo (outra expressão cristã) bastam as pequenas
dores para compreenderem e se solidarizarem com outras menores e maiores
que as suas.
Há o fisicamente próximo, o vizinho e há o espiritualmente
próximo, que pode estar em qualquer parte do mundo e se mobiliza
procurando maneiras de ajudar e ser útil.
Da mesma maneira há semelhantes “desassemelhados” e
próximos distantes, pessoas que sejam quais forem as circunstâncias
envolvem-se apenas com o que é de seu interesse imediato: interesse
interesseiro.
Felizmente, o que vimos em Santa Catarina foi solidariedade, empatia,
gratidão, união em proporção suficiente para
desconsiderarmos os casos egoístas que não faltariam na
expressão humana no planeta.
Solidariedade é um amor que não é solitário,
nem egoísta, é um amor que se importa. Não é
o amor do ciúme, da posse e do controle, que não deveria
sequer ser categorizado como amor, mas é tratado como se fosse.
Fraternidade é um sentimento e uma atitude de irmãos (frater
em grego é ao mesmo tempo uma denominação de amor
e de irmandade).
Jesus convidou-nos incessantemente à solidariedade e à fraternidade.
O Divino Amigo foi solidário e fraterno em todas as narrativas
que a tradição nos trouxe através dos evangelhos.
Encontramos o presente que podemos oferecer ao aniversariante, vamos chamá-lo
de “efeito Santa Catarina”. Este presente é o exemplo
vivido e sentido de todos os seres humanos que imediatamente se identificam
com seus irmãos de caminhada humana e se movem, saem de suas zonas
de conforto e vão imediatamente em direção daqueles
que sofrem e precisam de auxílio. Aquelas senhoras que deixavam
suas casas para ir cozinhar para a multidão de desabrigados, os
bombeiros que infatigavelmente participavam das buscas, os voluntários
que descarregavam centenas de caminhões de donativos, enquanto
outros tantos faziam o trabalho de triagem do que chegava, sem nunca ter
tido essa experiência antes.
O ocorrido em Santa Catarina, só não vê quem não
quer, possui, ao menos, duas grandes causas, a ingenuidade de construir
casas nas encostas, acreditando que nunca haverá novamente tanta
chuva ao ponto de que elas desabem de novo e, a falta de respeito com
que a humanidade vem agredindo o equilíbrio do planeta, mudando
o clima e o equilíbrio das forças da natureza. Estamos destruindo
o Jardim do menino Jesus...
Neste Natal, como presente ao Menino Jesus, podemos nos propor a reconstruir
o seu jardim, mudando nossas mínimas atitudes com relação
ao consumismo e a maneira como usamos os recursos não renováveis
e, ofertarmos a ele a fraternidade e a solidariedade que Ele Próprio
nos ensinou, não apenas com sangue, suor e lágrimas, mas,
sobretudo, com imenso amor.
Feliz aniversário Jesus, nós vamos reconstruir o seu jardim
e copiar e multiplicar o efeito Santa Catarina em todas as situações
do dia-a-dia, fazendo uma verdadeira corrente do bem, uma corrente que
não aprisiona, somente liberta!
Jesus, rega o jardim que começamos a replantar, regando primeiro
o solo do nosso coração para que nele floresçam as
árvores da fraternidade e da solidariedade, as flores da paz e
da compreensão e, sobretudo, os frutos doces do amor com que nos
educaste!
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