| "Intervenção
do exercício físico pode ser realizada na fase aguda,
subaguda e crônica do AVC e inclui atividades aeróbias,
exercícios de força, alterações dos hábitos
de vida ou outras estratégias" |
26 de abril é o Dia Nacional de Combate
à Hipertensão Arterial.
O acidente vascular cerebral (AVC), ou acidente vascular encefálico
(AVE), é caracterizado pela interrupção da irrigação
sanguínea das estruturas do encéfalo. Ou seja, ocorre
quando o sangue que sustenta o cérebro com oxigênio e
glicose deixa de atingir a região, ocasionando a perda da funcionalidade
dos neurônios. |
É uma doença de início súbito,
que pode ocorrer por dois motivos: isquemia ou hemorragia.
O primeiro tipo, e o mais comum deles, é devido
à falta de irrigação sanguínea num determinado
território cerebral, causando morte de tecido cerebral - é
o AVC isquêmico. O AVC hemorrágico é menos comum,
mas não menos grave, e ocorre pela ruptura de um vaso sangüíneo
intracraniano, afetando determinada função cerebral.
Existem muitas evidencias mostrando que o exercício físico
regular reduz o risco de doenças cardiovasculares. Entretanto,
o efeito protetor do exercício físico no acidente vascular
cerebral (AVC) é menos claro e os resultados são inconsistentes.
Vários estudos têm encontrado uma relação inversa
entre atividade física e risco de AVC (Wannamethee e Shaper, 1992;
Hu e col., 2000).
Análise de 23 estudos
Em 1999, Wannamethee e Shaper publicaram uma revisão
de vários estudos verificando a relação entre atividade
física e AVC. Observaram que o exercício físico estava
associado com uma redução do risco de AVC e que a atividade
física moderada pode permitir uma redução significante
desse risco. Confirmando esses resultados, uma análise de 23 estudos
indicou que um nível elevado de atividade física estava
associado a uma redução do risco de AVC hemorrágico
e isquêmico (Lee e col., 2003).
Efeito protetor da atividade física: benefícios
O efeito protetor da atividade física pode parcialmente mediar
esses efeitos através de outros fatores de risco do AVC. A atividade
física tem um efeito favorável na redução
da pressão arterial, perfil lipídico, sensibilidade à
insulina, peso corporal, coagulação sanguínea e fibrinólise
(Hu e col., 2002). A intervenção do exercício físico
pode ser realizada na fase aguda, subaguda e crônica do AVC e inclui
atividades aeróbias, exercícios de força, alterações
dos hábitos de vida ou outras estratégias.
Um outro aspecto importante do emprego da atividade física após
o AVC é a melhora da qualidade de vida desses pacientes. O efeito
do exercício na qualidade de vida é muito menos claro que
seu efeito no treinamento físico. A avaliação dos
benefícios de um programa de exercícios físicos para
pessoas que tiveram AVC com tempo superior a seis meses mostrou que, além
dos significantes benefícios nas limitações funcionais
como resistência, equilíbrio e mobilidade, foi observada
também uma melhora na qualidade de vida nos meses iniciais da reabilitação
(Duncan e col., 2003).
Em conclusão, os resultados dos diferentes estudos evidenciam que
a atividade física é um importante fator para diminuição
do risco do AVC. O efeito protetor da atividade física na incidência
do AVC precisa de maior destaque na prevenção desse importante
problema de saúde pública.
Referências:
Wannamethee G, Shaper AG. Physical activity and stroke in British middle
aged men. BMJ 1992; 304: 597–601.
Wannamethee SG, Shaper AG. Physical activity and the prevention of stroke.
J Cardiovasc Risk 1999; 6:213–16.
Hu FB, Stampfer MJ, Colditz GA, Ascherio A, Rexrode KM, Willett WC, Manson
JE. Physical activity and risk of stroke in women. J Am Med Assoc. 2000;
283: 2961–2967.
Lee CD, Folsom AR, Blair SN. Physical activity and stroke risk: a meta-analysis.
Stroke. 2003; 34: 2475–2481.
Hu G, Pekkarinen H, Hanninen O, Yu Z, Guo Z, Tian H. Commuting, leisure-time
physical activity, and cardiovascular risk factors in China. Med Sci Sports
Exercise. 2002; 34: 234–238.
Duncan P, Studenski S, Richards L Gollub S, Lai SM, Reker D, Perera S,
Yates J, Koch V, Rigler S, Johnson D. Randomized clinical trial of therapeutic
exercise in subacute stroke. Stroke 2003; 34: 2173–2180.
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