| "Muitos estudiosos
em Olimpismo têm a expectativa que tal percepção do
atleta ideal do futuro implica em ser mais rápido (citius), mas
não somente na pista, mas também no senso de compreensão
e rapidez mental; mais alto (altius), mas não somente no saltar
com também na elevação moral do indivíduo
e mais forte (fortius), não somente nos estádios de competição,
mas também ao se deparar com os desafios da vida"
Em tempos de Jogos Olímpicos (Pequim, 2008) há espaço,
como sempre, para todo tipo de debate, principalmente em torno do alto
nível de exigência em relação ao desempenho
dos atletas em relação à rapidez, força, compleição
física.
Os Jogos não se resumem na disputa esportiva propriamente dita.
Por ser o maior fenômeno de massas do planeta, aproveita-se também
para discutir, refletir, questionar, pensar, agir, etc. a respeito de
quase tudo que se refere à humanidade. Não por coincidência,
vários presidentes e autoridades públicas acompanham os
eventos dos Jogos.
Hoje o COI (Comitê Olímpico Internacional), além de
ser divulgador e promotor do esporte, cultura e meio ambiente, empenha-se
em dispor o próprio esporte a serviço da humanidade. De
questões esportivas às políticas propriamente ditas,
tudo é inserido como tema de discussão nos Jogos.
O mais alto, o mais rápido, o mais forte
No entanto, a máxima ideológica do precursor dos Jogos
Olímpicos Modernos, Pierre de Coubertin, Altius (o
mais alto), Citius (o mais rápido), Fortius (o
mais forte), ainda é de longe o baluarte das discussões,
polêmicas e gasto de milhares de dólares. Ora na reflexão
sobre o sacrifício e dedicação dos atletas em melhorar
constantemente seus desempenhos, ora em função da seleção
e treinamento de crianças para o futuro esporte olímpico
e outros assuntos como doping, meio ambiente, tecnologia de equipamentos
e roupas esportivas, metodologia de treinamentos e tantos mais que poderíamos
esgotar esse texto ao citá-los simplesmente.
Todavia, ser o mais rápido, mais alto e forte, reverbera aquilo
de mais emblemático que os jogos têm: o ser humano. Será
que essa máxima, nos dias atuais poder ser avaliada apenas como
repercutir resultados? E mais, será que o atleta olímpico
consagrado se resume nos resultados?
Dara Torres, atleta norte-americana de natação, de 41 anos
de idade demonstra que não. Ela, que foi atleta medalhista olímpica
aos 16 anos, hoje volta aos Jogos, depois de casar, parar de treinar e
ser mãe. Mesmo antes de cair na piscina ela já pode ser
considerada uma campeã. Outro exemplo é dado por Eric Shanteau,
também da natação norte-americana, que mesmo depois
de descobrir que estava com câncer nos testículos, antes
dos Jogos, resolveu competir por se achar um felizardo em poder representar
seu país em uma Olimpíada.
Pressuposto o homem, como personalidade esportiva, que em suas muitas
representações tem no atleta olímpico a referência
de um modo de ser, poderá vislumbrar motivações e
paradigmas diferentes para o século XXI.
Expectativa: o atleta do futuro
Muitos estudiosos em Olimpismo têm a expectativa que tal percepção
do atleta ideal do futuro implica em ser mais rápido (citius),
mas não somente na pista, mas também no senso de compreensão
e rapidez mental; mais alto (altius), mas não somente no saltar
com também na elevação moral do indivíduo
e mais forte (fortius), não somente nos estádios de competição,
mas também ao se deparar com os desafios da vida. Aqui está
contemplado o perfil do atleta que não faz uso de drogas, da violência,
de meios ilícitos para vencer e que luta por melhores condições
de vida no mundo através do esporte. Espera-se que este perfil
seja a representação do fair play (espírito esportivo
- jogo limpo) em um futuro próximo.
Portanto, o ideal olímpico redimensiona o mérito da vitória,
mesmo não descartando sua importância, mas, sobretudo, diz
respeito a algo mais abrangente e complexo. O estímulo que um atleta
olímpico pode dar à sociedade vai além da formação
de um campeão. Na verdade, pode extrapolar as quadras, pistas e
piscinas e atingir o cidadão, no sentido de vislumbrar na prática
esportiva mais uma oportunidade de promover cultura, tradição
e saúde psicofísica.
Podemos reconhecer que em qualquer nível (amador, profissional,
lazer, etc.) o esporte pode acomodar várias mazelas do comportamento
humano, como a desonestidade, violência e outras, mas também
é possível aceitar que o esporte pode auxiliar perfeitamente
na construção dos valores mais nobres do homem.
Para tanto é preciso:
- Proporcionar espaço adequado para a prática de esportes
(infra-estrutura pública e privada: instalações e
materiais esportivos);
- Formação de recursos humanos de alta qualidade (profissionais
relacionados ao esporte);
- Criar políticas para o esporte a curto, médio e longo
prazo, promover e divulgar os esportes olímpicos nas escolas regulares
e universidades.
Como conseqüência natural acima de tudo, teremos a conscientização
que o esporte é tradição cultural que serve a todos
aquilo que tem de melhor: momentos de divertimento e prazer.
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