| Você
se conhece? Essa é uma resposta que respondemos tranqüilamente com
um: "claro que sim!" Mas eu insisto que você pare alguns segundos
e repense sobre sua resposta. Continua afirmando que se conhece? Ótimo!
Então vamos tirar alguns minutinhos enquanto lê este artigo para
uma reflexão sobre si mesmo. O que sabe de você? Quais são
os momentos que mais marcaram sua vida? Quais são seus pontos positivos,
qualidades? Pode descrever uma por uma? E seus pontos negativos? O que tem feito
para mudar aquilo que não gosta em você? Já percebeu o quanto
você insiste em agradar a outras pessoas? Ou ainda, o quanto busca por reconhecimento
e aprovação daqueles com quem convive? Quais são as características
que você percebe em seus pais e reconhece também em você? È,
como podemos perceber, não é tão simples assim falarmos sobre
nós mesmos, nos conhecermos, não digo superficialmente, mas sim
como fruto de muita reflexão.
| Não
vemos em nós mesmos o que parece claro e óbvio nos outros. Isso
acontece porque utilizamos sem saber o mecanismo que chamamos de projeção,
quando por dificuldade em olhar para dentro de nós mesmos, projetamos nos
outros aquilo que nos diz respeito. Isso vale tanto para aspectos positivos como
negativos | Já
reparou como algumas pessoas tendem a querer saber muito mais da vida de outras
pessoas do que das suas próprias vidas? Por que os programas de fofoca
entre artistas, BBB, etc, fazem tanto sucesso? Parece que é mais fácil
olhar para o outro do que para dentro de si mesmo. Essa facilidade pode ser também
entendida como fuga, comodismo. |
Já
reparou como algumas pessoas tendem a querer saber muito mais da vida de outras
pessoas do que das suas próprias vidas? Por que os programas de fofoca
entre artistas, BBB, etc, fazem tanto sucesso? Parece que é mais fácil
olhar para o outro do que para dentro de si mesmo. Essa facilidade pode ser também
entendida como fuga, comodismo. Mas muito se esquecem ou nunca souberam que muitas
vezes aquilo que estão vendo, e que acabam por censurar, criticar, condenar,
julgar, pode ser apenas um reflexo de suas próprias imagens. Como assim?
Quando não se tem autoconhecimento é comum, por exemplo, julgar
o comportamento de outra pessoa. E se observamos mais profundamente, podemos descobrir
que também temos aquele mesmo comportamento. Isso acontece porque utilizamos
sem saber o mecanismo que chamamos de projeção, quando por dificuldade
em olhar para dentro de nós mesmos, projetamos nos outros aquilo que nos
diz respeito.
Isso não acontece apenas com aspectos negativos,
mas também com os positivos. Não vemos em nós mesmos o que
parece claro e óbvio nos outros. Esse tipo de mecanismo demonstra na realidade
uma pessoa com pouca percepção dos próprios sentimentos,
ou seja, pouco autoconhecimento. Agora que você sabe disso, ou se lembrou,
procure ficar mais atento a seus comentários sobre outras pessoas, usando
suas observações para fonte de autoconhecimento, identificando que
muitas vezes aquele elogio que faz para determinada pessoa, pode ser uma qualidade
inerente em você, que não havia sido reconhecida. E quando for sobre
aspectos negativos, também utilize a seu favor, possibilitando mudar aquilo
que até então você sequer havia percebido. Tudo pode ser informação
para elevar nosso autoconhecimento, só depende do grau de percepção
dos sinais e mensagens que nos deparamos no dia-a-dia.
A tão conhecida
frase do filósofo Sócrates - 470 a.C: "Conhece-te a ti mesmo",
que nada deixou escrito, mas cujos pensamentos foram descritos por Platão,
nos faz perceber o quanto somos ignorantes de nós mesmos e quanto é
antiga a busca pela consciência de quem somos. Hoje quando se fala de filmes
recentes como O Segredo ou Quem Somos Nós?, na verdade, são
conteúdos antigos com uma nova roupagem. Mas o importante é que
tudo isso está provocando reflexões sobre o assunto - autoconhecimento
- para quem ainda não havia tido acesso a tão profundos ensinamentos.
É preciso parar com a ânsia de tudo pelo outro. Não
sou contra o trabalho voluntário, ajudar o próximo, conceitos sobre
fraternidade, nada disso, mas está na hora de pensarmos um pouco mais em
nossa própria vida, evitando assim, depois de anos de abdicação
e dedicação ao outro, seja este quem for, ouvir aquelas célebres
frases: "fez porque quis", ou ainda, "não te pedi nada"
E quantas outras pessoas não se dão conta do quanto se permitiram
serem invadidas, agredidas, abusadas, tudo pela dificuldade em impor limites?
Por que permitirmos estar em segundo plano?
Temos que estar, se não
para o outro, mas para nós mesmos, em primeiro lugar. Isso não quer
dizer para sermos egoístas e nem negligenciarmos as necessidades de outras
pessoas, mas devemos lembrar que também temos as nossas. E quais são?
Tudo deve ter equilíbrio, e da mesma maneira que podemos nos preocupar
com o outro, devemos, no mínimo, nos preocuparmos com nós mesmos
na mesma intensidade. E geralmente não fazemos isso.
Devemos nos
lembrar ainda, que ao fazer pelo outro o que lhe compete ou lhe é de sua
responsabilidade, estamos fazendo com que não acredite em si mesmo, deixando-lhe
a nítida sensação de que não é capaz. E será
que é esse o resultado que realmente queremos? Com certeza desejamos que
o outro cresça, mas isso compete a ele. Não podemos permitir que
o outro cresça em detrimento de nosso crescimento. Todos nós somos
capazes de resolver os próprios problemas, fazer nossas próprias
escolhas, desde que acreditemos que somos mais capazes de cuidar da nossa própria
vida do que da vida dos outros.
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