|
Recentemente recebi o seguinte e-mail:
“Li alguns dos seus artigos e minha questão é: não
me conheço, tenho muito medo de ficar só e me sinto muito
sozinha! Por isso às vezes tento me manter ocupada pra não
me sentir tão só! Ultimamente tenho refletido muito, me
ouvido, mas meu medo permanece forte! Tenho repetido vários comportamentos
como se fosse uma compulsão, não consigo mudar! Por favor,
se você puder me dar algumas dicas lhe agradeço eternamente”.
Medo de ficar só. O que isso quer dizer? Medo de ficar consigo
mesmo? O que está por trás desse medo tão comum?
Ter que enfrentar algo que foi reprimido? Ter que lidar com os próprios
sentimentos? E onde estará tudo isso? Guardados onde? Será
que o medo que parece forte irá permitir se ouvir de verdade? Para
responder essa questão temos que refletir alguns aspectos de nossa
mente e comportamentos.
| Só através
do autoconhecimento, um trabalho de percepção lento,
gradual e diário, poderemos ter consciência de nosso
real valor e elevar nossa autoestima |
É importante aprendemos com aquilo que chamamos
de repetição de padrão, pode ser de comportamento,
relacionamento... Enfim, aquilo que sem percebermos vamos repetindo
ao longo da vida e que só nos damos conta quando apuramos nossa
percepção e começamos a refletir sobre o assunto,
ou ainda, quando alguns acontecimentos insistem em se repetir com
tanta frequência que acabam por chamar nossa atenção.
|
Para um melhor entendimento vamos refletir sobre um exemplo muito comum:
uma pessoa se casa com alguém muito autoritário, controlador,
agressivo, existindo brigas frequentes na tentativa de mudar esses comportamentos,
e em vez da pessoa desistir, insiste cada vez mais, enfrentando-o. Quando
vamos explorar o histórico de vida dessa pessoa descobrimos que
um dos pais tinha as mesmas características agressivas. Ou seja,
o padrão de comportamento conhecido retorna à sua vida como
se estivesse te dando uma oportunidade de aprender a lidar com aquilo
que não conseguia ou não sabia e que, agora adulto, pode
conseguir lidar, se defender, enfrentar, enfim, fazer aquilo que não
conseguiu fazer anos atrás.
Outro exemplo muito comum de repetição de padrão
é filhos de alcoólatras se unirem com pessoas também
alcoólatras. Como também casos de pessoas que estão
sempre em relacionamentos destrutivos. É como se o inconsciente,
tão sábio, o fizesse repetir o passado na tentativa de corrigi-lo.
É importante se perguntar: o que essa repetição de
padrão está querendo me mostrar? O que devo aprender com
isso? O que estou precisando aprender a enfrentar?
Por isso e tantos outros motivos é importante entendermos o inconsciente,
pois sem essa percepção e/ou conhecimento acabamos por não
entender muitos de nossas reações, sentimentos, emoções,
enfim, pouco podemos nos conhecer. Achamos que sabemos o que fazemos,
mas muitas vezes sequer conhecemos as razões que nos levaram agir
de determinada maneira. Ou seja, não podemos falar de autoconhecimento
sem citarmos o tão falado e pouco compreendido inconsciente. Este
tem uma linguagem própria, muito diferente daquela a que estamos
acostumados para lidar com o consciente. Sua linguagem é a simbologia,
as emoções.
Para um fácil e simples entendimento costumo comparar o inconsciente
a uma criança. Por exemplo, se uma criança deixa a bola
cair do outro lado da rua, o que ela faz? Sai correndo para ir buscá-la,
não é? Seu objetivo é pegá-la, e para isso
ela não irá se preocupar se tem carro passando e se irá
ser atropelada, se tem buraco no meio e ela irá cair, ela simplesmente
atravessa a rua para pegar aquilo que deseja. O inconsciente trabalha
de maneira semelhante. Por exemplo, se no seu íntimo você
precisa ir mais devagar, desacelerar o ritmo, seu inconsciente saberá,
e ele sempre sabe tudo que você precisa, assim, ele fará
algo que o faça simplesmente ir mais devagar, pode ser com uma
leve torção no pé, se você não parar
pode acontecer algo mais grave, até que perceba a mensagem e o
aprendizado. O inconsciente de alguma forma sempre está em busca
da sua evolução, podendo provocar todas as formas para que
isso aconteça, seja por meio de um acidente, doença, de
repetições de padrões até que o objetivo ou
aprendizado seja alcançado.
Tudo que sentimos, quer lembremos ou não, também está
registrado em nosso inconsciente. Nele ficam os conteúdos que altera
e influencia o comportamento, tudo que é considerado agressivo
à consciência. Pode-se dizer que o inconsciente é
semelhante a um porão onde se guarda tudo que não queremos
ver e onde há bem mais coisas que imaginamos. Conflitos do passado
estão lá guardados, ainda que você sequer se lembre
deles. Mas qualquer palavra, cheiro, música, fato, qualquer coisa
ou acontecimento que o faça lembrar irá desencadear toda
emoção e/ou dor contida naquele momento. Ou seja, tudo aquilo
que por algum motivo reprimimos podem vir à tona sem sequer percebermos.
Por isso muitas vezes temos reações que nem nós mesmos
entendemos. E como fazer para conhecer esse lado tão oculto, misterioso,
mas igualmente fascinante e libertador? Pelo processo da psicoterapia
ou análise, dependendo da linha do profissional. Sim, há
preconceitos, mas muito mais por medo de se conhecer pela própria
falta de informação de como o processo ocorre.
As pessoas em geral só buscam um psicólogo quando estão
em crise, seja por uma separação, perda, alguma mudança
drástica no modo de vida, quando os conflitos são tantos
que não conseguem mais lidar sozinhas. Mas todos nós em
algum momento quando nos deparamos com a necessidade de aprender algo
sobre nós mesmos. Essa necessidade não é sinal de
fraqueza como muitos acreditam, e sim o começo da força!
É, precisamos ter coragem para crescer! Você pode começar
se cobrando menos, se concentrando menos no que pensa sobre as coisas
e mais em como se sente em relação a elas. Quanto mais aprender
sobre si mesmo, mais conseguirá perceber os motivos que o levam
a tomar algumas decisões, a ter certas reações. Por
isso insisto em dizer que não há receita pronta para elevar
a autoestima, tudo depende de um longo e valioso processo que se chama
autoconhecimento, pois só quando nos conhecemos podemos perceber
nosso real valor.
Aqueles que não conhecem a si mesmo dificilmente terão um
bom relacionamento com os outros. É isso mesmo, a falta de autoconhecimento
não afeta apenas a relação conosco mas também
com as outras pessoas. Sim, autoconhecimento requer um constante exercício
de diálogo interno, reflexão, o que sabemos que muitas pessoas
fogem, preferindo, como se não tivesse outra escolha, em ouvir
o barulho externo a fim de evitar se ouvir. A essência divina está
dentro de nossa própria alma e cabe a cada um de nós descobrir
a sua!
Artigos relacionados - clique no título
>>> Por
que uns são mais seguros que outros?
>>> O que
é felicidade?
>>> Solidão
começa no pensamento
>>> Por que autoconhecimento
é antídoto contra solidão
|