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Sofremos muitas vezes por comportamentos aprendidos como corretos
em uma época de nossa vida em que não tínhamos discernimento
para escolher. Todos sabem que a formação que a criança
recebe na infância influencia toda sua vida. Atos, opiniões
sobre religião, costumes, moral, preconceitos, regras de conduta,
princípios, que variam culturalmente de família para família
e, interiormente, de criança para criança. Tudo isso se
modela e se delinea sem sequer analisarmos, quando adultos, se ainda continuam
a ter algum valor, mantendo o mesmo pensamento e valores, dos quais sentimos
muita dificuldade em nos libertar.
Apenas continuamos a repeti-los, e sofremos por verdades que permitimos
se tornarem absolutas, mas quando as analisamos descobrimos que jamais
foram as nossas verdades. E ainda assim, conscientes disso, permanecemos
estagnados.
| "Autoconhecimento é
a capacidade que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo que
necessitamos transformar" |
Se não houver preocupação em
erradicar os velhos padrões ou crenças inadequadas ao
nosso mundo interior, corremos o risco de viver sob as condições
do que nos ensinaram que é correto, mas que nada nos vale em
nossa própria vida, só nos causando conflitos, sofrimento
e prisões, da qual somente nós mesmos podemos nos libertar.
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Ao longo da vida acumulamos crenças a respeito
de nós mesmos e do mundo. Essas crenças passam a agir automaticamente,
ou seja, sequer percebemos que determinam nossas escolhas e reações.
As crenças que desenvolvemos a partir das lições
que aprendemos têm seu aspecto positivo quando funcionam como princípios
que nos proporcione crescimento. O aspecto negativo é quando nos
fixamos em algumas delas e nos recusamos a refletir e mudar. Se não
perceber que está sendo conduzido por crenças, é
pouco provável que consiga mudar.
Como mudar o que não conhecemos e entendemos?
Apenas quando nos tornamos conscientes de verdades que não são
nossas e da necessidade de mudar, é que podemos nos libertar delas.
Para mudar padrões de pensamentos e comportamentos de uma vida
inteira, temos que nos predispor a conhecer e compreender o que sentimos.
É quando começamos a crescer, pois o mesmo só acontece
quando nos tornamos conscientes do que sentimos. Algumas pessoas insistem
em dizer que se conhecem, talvez se conheçam parcialmente. Quando
alguém resiste a mudar, nos faz pensar que na verdade elas não
compreendem a si mesmas o suficiente para perceber o quanto uma ou mais
mudanças são necessárias.
O processo da psicoterapia ainda é o mais indicado para o processo
de autoconhecimento. Mas o preconceito ainda existe. As justificativas,
ou melhor, resistências, são muitas: “não preciso
de ajuda; não quero lembrar do que aparentemente está esquecido
e enterrado; para que explorar o que já passou”, entre tantas
outras.
Todas essas justificativas só demonstram o quanto a falta de conhecimento
sobre fatos ocorridos no passado podem ainda estar influenciando hoje.
É preciso entender os acontecimentos do passado para identificar
o quanto ainda estão vivos e ativos no inconsciente no momento
presente.
Viver presos a crenças faz com que vivamos no
passado. A recusa em examinar o passado pode nos manter ainda mais preso
a ele. Só quando examinamos as crenças que ainda nos aprisionam
e nos impede de agir é que conseguimos ficar livres para o novo.
Mas é comum não querer se conhecer porque
isso significa ter que examinar não só ao passado, mas tudo
aquilo que está bem dentro de nós, e tememos o que podemos
encontrar, escolhendo assim a estagnação, por medo, comodismo,
ignorância, orgulho, em detrimento do crescimento. O crescimento
exige que nos preparemos para ouvir a nós mesmos e estarmos dispostos
a lidar com o que encontrarmos, e para isso é preciso querer!
Algumas perguntas que poderá fazer a
si mesmo para identificar quais crenças e valores afetam sua vida:
- Qual o grau de influência da opinião de outras pessoas
sobre meus atos?
- Quais crenças cooperam para meu bem-estar interior?
- O que me dificulta ter suficiente autonomia para tomar minhas próprias
decisões?
- Espero o reconhecimento de alguém por aquilo que realizo e conquisto?
Quem?
- O que me impede de ter uma vida mais feliz?
- Tenho o hábito de perguntar sobre o que devo fazer para outras
pessoas? Quem?
- Os conceitos que carrego dentro de mim, ou seja, aquilo em que acredito,
aumenta ou diminui minha autoconfiança?
Quando nos desfazemos das crenças inadequadas, morre em nos tudo
aquilo que é velho, e passamos a reformular ou remodelar novos
caminhos, agora de acordo com nossos próprios desejos e valores,
o que nos dá a sensação de estamos verdadeiramente
libertos.
Por que não sermos mais humildes e aceitarmos que a maneira com
que lidamos com as situações está nos fazendo sofrer?
Humildade não tem nada haver com submissão, inferioridade,
como muitos acreditam. No entanto, está associada a gentileza,
simplicidade, lucidez. Somos humildes quando percebemos que ainda temos
muito a aprender, por mais informações que tenhamos: livros
que lemos; viagem que fizemos, experiências adquiridas no decorrer
dos anos. É importante lembrar que humildade não é
passividade, muito pelo contrário, exige acima de tudo confiança
em si mesmo. Somente quem tem plena consciência do seu valor pessoal
é que não precisa se exaltar.
O autoconhecimento é a capacidade que nos permite perceber, de
forma gradativa, tudo que necessitamos transformar. Por isso sua importância.
Não precisamos ter medo de nos conhecer, como se isso fosse um
fardo do qual não podemos nos livrar, muito pelo contrário,
ter maior percepção de si mesmo é o que nos capacita
a mudar tudo aquilo que nos faz mal ou nos causa conflito e sofrimento,
ampliando nossa consciência sobre nossos potenciais adormecidos,
a fim de que possamos vir a ser aquilo que somos em essência. E
isso é simplesmente fantástico!
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