| Por mais prática
e centrada que seja uma pessoa, não há como passar pela
vida sem se ver envolvida em situações inesperadas, causadas
pelos mais diferentes fatores: uma atitude ou palavra que saiu sem querer,
um esquecimento, encontrar-se no lugar errado na hora errada e tantos
outros. Mais exposta à cilada está aquela que segue em frente
sem qualquer planejamento, ou sem disponibilidade para refazer, a tempo,
o que precisa ser refeito. São essas as que mais sofrem quando
percebem o emaranhado em que se meteram.
| "Qualquer tempo é
tempo de pedir desculpas, de replanejar o cotidiano, de cuidar daquilo
que foi deixado para trás e agora incomoda tanto" |
Nessa hora bate o desespero, pois não há
como nem para onde fugir. O barquinho não está esperando
no cais, o sono falta ou vem em demasia, a comida não desce
ou a fome é insaciável, há coisas e pessoas esperando
por ela, tudo mesclado de culpa e de arrependimento. Por que não
fiz assim? Por que não fiz assado? Poderia ter conduzido melhor
as finanças, a saúde, a relação com a
família, com o chefe, com aquele colega de trabalho, com o
amigo tão querido, com isto, com aquilo. |
Se não conduziu, resta encontrar formas para
desatar os nós e pronto. Alguns são até frouxos,
a corda é grossa. Outros não, se a correntinha de ouro for
muito fina. Portanto é preciso separá-los, os que pedem
urgência daqueles que podem esperar mais um pouco. Há ainda,
os que dependem de que outros sejam desatados antes.
Embora não haja receitas, afinal cada caso é um caso e cada
um é cada um, algumas observações podem ser bem-vindas.
Sempre há saídas, mesmo que não sejam as que gostaríamos.
Nem se deve esperar que elas ocorram dentro do tempo previsto, mesmo porque
se estamos no limite, queremos soluções para ontem. Também
não é fácil escolhermos por onde começar,
pois muitas vezes a situação mais difícil se impõe
de tal maneira que nos leva ao desânimo por nos acharmos incapazes
de enfrentá-la. Comecemos pela mais simples, ela poderá
nos guiar num crescente, fortalecendo nossa autoconfiança.
Mantenha-se atento às ilusões. Para se proporcionar certo
alívio, é comum que se fantasie saídas mágicas,
mas quando confrontadas à realidade trazem mais frustração
e aumenta o desespero. Por outro lado, as soluções de hoje
podem exigir mais esforço do que exigiria noutros tempos, já
que as pessoas mudam e as circunstâncias são outras. Não
importa, qualquer tempo é tempo de pedir desculpas, de replanejar
o cotidiano, de cuidar daquilo que foi deixado para trás e agora
incomoda tanto.
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