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com depressão têm risco quase três vezes maior de sofrer AVC
Estudos apontam que pacientes com depressão
pós-AVC têm uma mortalidade 50% maior em relação àqueles
sem depressão, no seguimento de um ano A
incidência de depressão é alta e preocupante em pacientes
que sofreram AVC, o conhecido acidente vascular cerebral ou 'derrame'. Eles costumam
ter uma chance maior de depressão. Segundo um estudo atual realizado pelo
neuropsiquiatra Renato Marchetti (HC-USP) e colaboradores, a prevalência
de depressão nesse subgrupo de pacientes é de 35,5% dos internados,
com pico de incidência entre o terceiro e o sexto mês após
o derrame. O problema é que o diagnóstico é insatisfatório.
Ou seja, grande parte desses pacientes não são tratados da depressão.
Entre os fatores que funcionam como gatilhos para a depressão
pós-AVC incluem-se o estresse gerado pelas limitações físicas
causadas pela doença neurológica, além do possível
isolamento e abandono familiar. Fatores orgânicos associados e
outras doenças, além de algumas medicações utilizadas
no tratamento de tais repercussões clínicas, também podem
causar depressão. Autonomia
funcional O inverso também
é verdadeiro. Pessoas com depressão têm risco quase três
vezes maior de sofrer AVC. Quando a depressão de pacientes que sofreram
derrame não é tratada, há piora substancial da psicomotricidade,
das funções cognitivas (memória) e maiores chances de outro
episódio de AVC. Uma das principais necessidades humanas, para o idoso
ou qualquer outro, é a chamada autonomia funcional. É a capacidade
que a pessoa tem para valer-se de si mesma, interagir com o ambiente e satisfazer
suas necessidades. As características da síndrome depressiva
nos pacientes com AVC, são similares às dos outros episódios
depressivos. Hoje, a ciência descobriu que há um subgrupo de pacientes
do tipo com maiores chances de desenvolver depressão. Aqui, incluem-se
os pacientes com atrofia do córtex cerebral (diminuição do
volume do cérebro), um episódio prévio de derrame ou mesmo
depressão e histórico familiar dessa doença. A
presença de depressão atrasa muito a recuperação de
pacientes com acidente vascular cerebral, piorando as seqüelas neurológicas
como os distúrbios da linguagem, motricidade, alterações
de sensibilidade, dores e perda de memória. Esses pacientes se engajam
de forma insatisfatória aos tratamentos medicamentoso e fisioterápico,
o que é um dado alarmante, já que diminui as chances de sobrevida.
Estudos também apontam que pacientes com depressão pós-AVC
têm uma mortalidade 50% maior em relação àqueles sem
depressão, no seguimento de um ano. Hoje, felizmente temos medicações
antidepressivas que podem rapidamente tratar essas depressões secundárias.
Porém, repito, o maior problema é a falta de uma abordagem precoce
eficiente, realizada por meio de uma avaliação clínica inicial
completa e precisa. A psicoterapia de enfoque cognitivo-comportamental também
é eficaz e fundamental. Familiares de pacientes que têm o problema
devem ficar atentos aos sintomas e sinais de depressão nos primeiros meses
depois do AVC. Isso pode efetivamente salvar vidas e melhorar o bem-estar e a
qualidade de vida dessas pessoas que tanto sofrem com os limites impostos pela
doença.
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