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No texto anterior expliquei o conceito de ayurveda - clique
aqui. Agora falarei sobre sua história.
Segundo uma antiga tradição védica,
inicialmente feita por transmissão oral – de mestre para
discípulo –, a respeito da descendência ou linhagem
(Ayurveda vatarana = linhagem), os conhecimentos do ayurveda já
existiam muito antes da criação do universo.
O senhor Brahma – o Deus Criador do universo –, considerado
o descobridor, e não o inventor dessa ciência, propôs
o nome de ayurveda. Com seu grande poder divino, Brahma memorizou completamente
o ayurveda, compondo-o em centenas de milhares de versos. Mais tarde,
percebendo que os seres humanos tinham uma vida curta na terra e uma memória
não tão prodigiosa, dividiu o ayurveda em oito ramos, ou
especialidades médicas, para facilitar o seu aprendizado.
Como as misérias e as doenças estavam aumentando na Terra,
pessoas foram procurar os grandes sábios (rishis) para pedir-lhes
ajuda no sentido de libertá-los de seus sofrimentos e daquelas
doenças. Após uma longa reflexão e meditação,
esses sábios decidiram enviar um importante erudito e santo, chamado
Daksha Prajapati, a Brahma para com ele estudar o ayurveda; objetivavam
que esse, virtuoso sábio, posteriormente, auxiliasse a humanidade
a se libertar das misérias, dos sofrimentos e das doenças
que a afligissem. Então, Daksha Prajapati, o primeiro discípulo
de Brahma, ensinou o ayurveda aos jovens irmãos gêmeos Ashwini
kumari (kumara = jovens; divinos médicos celestiais). Esses, por
sua vez, transmitiram os ensinamentos a Indra (o Senhor dos Céus,
chefe dos deuses). Indra transmitiu os ensinamentos a Bharadwaja ou a
Atri (pai de Atreya) – aqui o conhecimento do ayurveda chega a Terra
(ao mundo físico) – e também a Kashyapa (a partir
desse, surge a Escola de Pediatria). Bharadwaja, ou Atri, ensina a Punarvasu
Atreya (o nome de sua mãe é Chandrabhaga).
Em diversos simpósios, organizados em várias regiões
da Índia, Atreya debateu importantes tópicos da medicina
ayurveda com estudiosos eruditos e formulou, de forma apropriada, muitos
de seus conceitos básicos. Teve seis ilustres discípulos:
Agnivesa, Bhela, Jatukarna, Parasara, Harita e Ksarapani. Agnivesa, um
dos discípulos mais brilhantes de Atreya, documentou os ensinamentos
de seu mestre em um compêndio, que se tornou conhecido como “Agnivesa-Tantra”
(Tratado de Agnivesa).
A partir de Bharadwaja ou Atri, Punarvasu Atreya, Agnivesa e Charaka,
surge a Escola de Medicina Geral (da Clínica Geral). Agnivesa transmitiu
os conhecimentos do ayurveda a Charaka (esse foi o primeiro a aprimorar
o tratado de seu mestre Agnivesa – escrito, inicialmente, na forma
de sutras (textos) ou aforismos – e a torná-lo mais volumoso,
a partir de suas anotações (bhasyas) e interpretações.
Sua interferência literária e terapêutica foi tão
magnífica que o original tratado “Agnivesa-Tantra”,
após ser totalmente reformulado, passou a ser conhecido como “Charaka
Samhita” – Coleções de Charaka).
Mais tarde, Drdhabala, filho de Kapilabala, reconstruiu uma parte perdida
do “Cháraka Samhitá” – a partir de outros
relevantes trabalhos –, talvez, mutilado pelo lapso do tempo. Indra
teve outro importante discípulo: Adideva Dhañvañtari,
sucedido por Divodasa Dhañvañtari (rei de Kási, encarnação
de Adideva Dhañvañtari, veio ao mundo para ensinar o Salya
Tañtra – a Cirurgia). Tanto Adideva, quanto Divodasa Dhañvañtari
foram importantes para a preservação e o desenvolvimento
do ayurveda. Assim, Divodasa Dhañvañtari tornou-se mestre
do grande sábio e cirurgião Sushruta. Dhañvañtari
é conhecido como o “Pai ou Deus do Ayurveda.
De acordo com a tradição védica, a eterna ciência
do Ayurveda é revelada em cada ciclo da criação do
universo. De tempo em tempo, o deus Vishnu (o “preservador”,
o “que penetra todas as coisas”) manifesta-se como Dhañvañtari
(outras de suas importantes encarnações – avatara
– foram Rama e Krishna) para ensinar e restaurar os ensinamentos
do ayurveda. A partir de Divodasa Dhañvañtari e Sushruta,
nasce, então, a importante Escola dos Cirurgiões.
Este texto continua.
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