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| Entrevista exclusiva: Faça uma viagem relaxante pelas maravilhas da Índia - Parte II | |||||
| Gilberto Coutinho especial para o Vya Estelar | |||||
| O terapeuta naturopata Gilberto Coutinho que assina esta coluna quinzenal no Vya Estelar, conta em detalhes como foi sua viagem à Índia, onde passeou durante dois meses
Na segunda parte desta entrevista, Gilberto nos conta onde esteve e as suas impressões sobre a cultura daquele país. Vya Estelar - Qual foi a sua sensação ao chegar à Índia? Gilberto Coutinho - Após muitas horas de vôo (cerca de 18 horas), numa viagem que transcorreu bem, o grupo do qual eu fazia parte estava bastante ansioso e feliz. Finalmente, iríamos aterrissar em solo indiano; para a maioria, era a primeira visita a esse país fascinante. Era noite e, da janela do avião, pude observar o grande arquipélago que constitui a cidade de Mumbai todo iluminado. Era uma visão impressionante e eu não queria perder nenhum detalhe. Já passava da meia-noite, quando aterrissamos no Aeroporto Internacioal de Mumbai (Índia). Ainda dentro do avião, pude sentir o cheiro de poluição que vinha lá de fora, o que me chamou muito a atenção. Vya Estelar – Como é a cidade de Mumbai? Gilberto Coutinho - Capital do Estado de Maharashtra,
é a maior cidade da Índia, com uma população
atual estimada em 14 milhões de habitantes. Mumbai é um
importante centro comercial, industrial e de entretenimento e abriga importantes
instituições financeiras. Ao circular de carro por ela,
observei um trânsito intenso, agitado e barulhento (geralmente,
atrás dos auto rickshaws, veículos motorizados de três
rodas muito comuns na Índia, e dos automóveis é comum
ler-se: **“Por favor, buzine.”), recentes e grandes construções
(viadutos, edifícios, revitalização de avenidas etc.);
tive a impressão de que a cidade passa por grandes transformações
e desenvolvimento. É nessa metrópole que se encontra Bollywood,
a indústria de cinema e televisão. Vya Estelar - Qual foi o roteiro de sua viagem pela Índia? Gilberto Coutinho – Mumbai é uma das principais portas de entrada e de saída da Índia. Durante a minha viagem, estive algumas vezes nessa cidade. Kozhikode, também conhecida como Calicut, com cerca de 933 mil habitantes, situa-se na costa ocidental da Índia, no Estado de Kêrala – Sul da Índia. Em Kozhikode, uma vam esperava para nos levar até Kannur (ou Cannanore), onde permanecemos durante todo o mês de janeiro estudando Medicina Ayurveda na “School of Ayurveda & Panchakarma”, acoplada ao “Mascot Beach Resort”, localizado de frente para o belo Mar Arábico, onde, às tardes, eu observava o mar e o pôr de um grande e belo sol vermelho-dourado. No início de fevereiro deste ano, com o término do curso, viajei para o belo Estado de Tamil Nadu, onde conheci vários templos e cidades, dentre as quais: Templos (7) Agra (no Estado de Uttar Pradesh, onde estão os belíssimos Taj Mahal e o Agra Fort); (8) Haridwar e (9) Rishikesh (ambas situadas no Estado de Uttaranchal e próximas do Himalayas), dentre outras. Vya Estelar – Quais são os atrativos da cidade de Kozhikode? Gilberto Coutinho - Kozhikode é uma cidade muito interessante e bela, da qual gostei muito. Nela visitei uma região antiga, cujas ruas inteiras eram dedicadas a um primoroso e curioso artesanato variado (roupas típicas, bijuterias, ornamentos de casa, quadros, mobiliários, antiquários, livrarias etc.) e à venda de belas estátuas de vários tamanhos dos diversos deuses da Índia. Eram necessárias muitas horas para se ver e fotografar tudo. Fiquei impressionado com tanta riqueza de detalhes e cores da arte local. Informaram-me que, no século XV, a cidade foi um importante porto comercial, onde estiveram os navegadores portugueses: Vasco da Gama (em 1498, ao descobrir uma rota para o Oriente, aportou na praia de Kappad, próxima da cidade) e Pedro Álvares Cabral (em 1500). Vya Estelar – Quais impressões mais marcantes dessa viagem? O que mais o emocionou? Era a Índia que você imaginava? Gilberto Coutinho – A Índia que visitei
não é diferente daquela que elaborei em minha mente em todos
os momentos de estudo e leitura, dos livros, das revistas, dos contos
e das histórias yogues, dos diversos documentários de TV.
Mas, sem a menor dúvida, muito mais completa, bela e emocionante.
Para mim, cada dia nesse país era um presente muito especial do
Criador. Lembrava-me dos familiares, amigos e pacientes com os quais gostaria
de estar compartilhando toda essa experiência. Vya Estelar – O que lhe chamou a atenção em relação ao comportamento dos indianos? Gilberto Coutinho – Educação, generosidade, simplicidade, inteligência, benevolência, amizade (companheirismo), alegria, religiosidade e fé. Vya Estelar - Você presenciou um ritual religioso
chamado “Theyyam”, onde um sacerdote, após uma longa
preparação ritualística, incorpora a “consciência
divina” e caminha entre as chamas do fogo. Poderia nos falar mais
a respeito disso? Theyyam ou Kaliyattam Theyyam ou Kaliyattam é um antigo ritual muito popular no Sul
da Índia (especialmente no Estado de Kerala), que engloba dança,
música e prática religiosa. As apresentações
ocorrem de acordo com o calendário lunar Malayalam, e as datas
variam de ano para ano. Reflete aspectos importantes da cultura tribal
tradicional que antecede a influência da cultura dos drávidas
(conjunto de povos do sul da Índia e do norte do Sri Lanka). Fui
informado de que existem cerca de 450 tipos diferentes de Theyyams.
Segundo as informações do agente turístico que me acompanhava, esse não é um caso de possessão; o sacerdote perde temporariamente sua identidade física e incorpora a consciência da divindade cultuada durante a apresentação. Alguns sacerdotes cantam e tocam instrumentos (uma espécie de corneta e tambores), oram e invocam a divindade a ser recebida e, posteriormente, prestam-lhe homenagens, oferecendo flores, incensos, alimentos e chamas de fogo. Kalarippayattu: arte marcial indiana Vya Estelar – Como foi sua experiência com a arte marcial indiana? Gilberto Coutinho – Kalarippayattu é o
nome da antiga e poderosa arte marcial indiana pertencente à classe
dos Kshatriyas (guerreiros), peculiar ao Estado de Kerala e considerada
a mãe de todas as outras artes marciais. Visitei a residência
e a escola de um renomado mestre em Kannur. Fiquei maravilhado com o treinamento
das crianças (havia também meninas, embora poucas) e dos
adultos. Teatro solar: “Surya” (O Sol) Vya Estelar – Você assistiu a alguma peça teatral? Gilberto Coutinho – “Surya” (O Sol) era o seu nome. Foi um belo espetáculo. Fiquei surpreso com a pedagogia, muito interessante e refinada, empregada para ensinar aos jovens a importância da preservação e do cultivo das tradições védicas, encenada na data em que se comemora o dia do sol (na primeira quinzena do mês de janeiro). Muito aplaudidos, os atores e dançarinos interagiram e dançaram com a platéia ao som de uma alegre e estimulante música tradicional indiana; caíam pétalas de rosas e diversos balões coloridos do alto do teto do teatro. Eu e meus amigos de curso ficamos impressionados com o profissionalismo e a competência dos jovens atores indianos nessa encenação de altíssimo padrão e bom gosto, com recursos audiovisuais modernos. Culinária indiana Vya Estelar – O que você tem a dizer a respeito da culinária indiana? Gilberto Coutinho – É uma culinária
aromática e muito saborosa. A Índia é um país
muito vasto e cada Estado possui uma gastronomia bastante própria
e diversificada. * A flor de lótus é um dos símbolos nacionais da Índia. Tradicionalmente, ela simboliza a "pureza", a "consciência" e "algo de grande valor". Uma semente de lótus, em condições favoráveis, pode germinar num lago fecundo em poucas semanas ou, então, demorar muitos anos, ou até mesmo, milhares de anos para germinar. O "germinar" da semente representa o "nascimento", a "vida", o manifestar da "consciência" para a existência; o "desabrochar" do botão em uma flor representa a "beleza das virtudes humanas" e o despertar da consciência para a sabedoria e a "iluminação". Os antigos sábios, yogues e poetas da Índia tiveram a sensibilidade e uma apurada percepção para comparar o desenvolvimento da flor de lótus com a evolução espiritual do homem e a aquisição dos verdadeiros conhecimentos. Por essas razões, ela também é símbolo do Yoga (representa os preciosos e sábios conhecimentos de sua escola de pensamento, que podem conduzir os seus adeptos à sabedoria e à libertação) e do Ayurveda (os oito ramos da medicina indiana e seus preciosos conhecimentos). ** Durante muitos anos, os indianos desenvolveram um jeito muito peculiar
de transitar com os automóveis. Na Índia, realmente, atrás
de ônibus, caminhões, auto rickshaws e táxis existe
o seguinte dizer: “Por favor, buzine.”. Lá, a direção
é à direita do motorista, como na Inglaterra, e o trânsito
não funciona de modo "organizado", como se concebe aqui
no Brasil e em outros países. Para quem não está
acostumado, o trânsito parece bastante confuso, agitado, ameaçador,
num emaranhado de automóveis circulando e buzinando sem parar.
Muitas vezes, tem-se a impressão de que o caos se estabelece e
os automóveis vão-se chocar; mas, no final, tudo parece
dar certo. No entanto, durante minha estada na Índia, não
presenciei nenhum motorista xingar, fazer gestos obscenos, ficar nervoso
ao ponto de descer do carro para brigar. Presenciei, sim, um ou outro
motorista fazer algum comentário: "esse cara tá louco
de fazer tal manobra". A buzina, na Índia, funciona como um
sinalizador: "Preste atenção, estou passando..., vou
ultrapassar ou me dê passagem". | |||||
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