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| "Pessoas bilíngues
apresentam melhores desempenhos numa variedade de tarefas que envolvem
atenção e memória" |
É cada vez mais comum pessoas acima dos 50
anos se matricularem em cursos de línguas no exterior. No primeiro
semestre deste ano a Agência Central de Intercâmbio (CI)
enviou cerca de 100 pessoas da terceira idade para outros países
para fazerem cursos de línguas. |
A expectativa é que aumente cada vez mais esse número.
Isso porque as pessoas passaram a planejar suas viagens buscando cursos
de línguas; seja pela primeira vez ou para se reciclar.
Entre as línguas mais escolhidas pelos idosos estão o inglês,
o espanhol e o italiano. Os cursos são feitos em turmas com a mesma
idade e com profissional especializado, com aulas aliadas às atividades
culturais, incluindo passeios turísticos, gastronômicos,
etc. Existem também opções de cursos específicos
para o público da terceira idade. A duração varia
de 6 meses há 1 ano e as hospedagens são em casa de família.
Este programa é uma oportunidade da pessoa aprender uma nova língua
e conhecer outro país. Fazer intercâmbio cultural não
é uma opção somente para jovens. Com o aumento da
população longeva, cada vez mais surgirão programas,
atividades que agradem esse segmento, proporcionando-lhes boa qualidade
de vida.
Fatores sociais e educacionais fazem a diferença no aparecimento
de déficits cognitivos na velhice, bem como no surgimento de depressão
em idosos. Estudos mostram que é importante a atividade mental
complexa, o engajamento com o lazer, a prática da leitura, de exercícios
físicos e manter uma boa dieta para alcançar uma velhice
bem-sucedida e se proteger de fatores de riscos cognitivos na velhice.
A linguagem é função sóciocognitiva, uma atividade
mental que nos possibilita interagir, apreender a realidade, entender
o mundo, decodificar símbolos, compartilhar sentimentos e desejos,
fazer associações lógicas, interpretar, entender,
inferir um significado. A linguagem é a expressão do ser.
Dessa forma, o domínio da linguagem causa efeitos transformadores
sobre a mente humana.
Aprender uma nova língua no seu contexto natural é muito
importante. Aprende melhor uma língua quem mergulha na sua prática
social. Para aprender uma língua é preciso que se doe para
aquela língua. Incorporar o habitus linguístico
da comunidade que fala aquela língua, as práticas discursivas.
Não é possível aprender uma língua se distanciando
do seu contexto e tendo a postura de criticá-la. É preciso
aceitar as categorias da língua como elas são, acolher tudo
à medida que você for aprendendo. Por isso o fator idade
não é o principal, tudo depende de como o estudante vai
assumir a postura de aprendiz daquela língua. É importante
também que sempre que possível após retornar do intercâmbio,
fazer uma revisão de tudo que aprendeu.
A identificação do processamento da linguagem em diversos
níveis e as modificações nas redes neurais levou
os pesquisadores da área das neurociências cognitivas a estenderem
as investigações para os casos de pessoas idosas que falam
mais de uma língua. O aprendizado da linguagem oral e da linguagem
escrita introduz no sistema nervoso estratégias organizativas específicas.
Pessoas bilíngues apresentam melhores desempenhos numa variedade
de tarefas que envolvem atenção e memória.
Estudo: bilinguismo
Um estudo que analisou o efeito do bilinguismo ao longo da vida na manutenção
das funções cognitivas e na proteção contra
sintomas de demência em 228 pessoas idosas, sendo 51% bilíngues,
na Universidade de Toronto, no Canadá em 2007, publicado na Neuropsychology,
constatou que as pessoas bilíngues apresentaram melhores desempenhos
em testes mentais mesmo tendo as mesmas queixas cognitivas. Esses resultados
mostraram que pessoas bilíngues têm mais reservas cognitivas,
isso inclui um aumento de conexões neurais e aumento do vocabulário,
e uma maior reorganização funcional da atividade cerebral,
sendo um fator protetor de sintomas de demência.
O próprio processo de escolarização, aquisição
da leitura e da escrita, o uso continuo da linguagem no cotidiano, já
estimula outras competências. E o aprendizado de nova língua,
da cultura dessa língua, e a manutenção da mente
ativa ao longo da vida torna-se fundamental. Aprender outra língua
além de uma necessidade pode ser muito prazeroso e trazer benefícios
positivos.
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