|
Da Redação
“A
cirurgia bariátrica não é uma cirurgia estética.
O paciente precisa passar por um amplo acompanhamento e já
ter tentado perder peso pelas formas tradicionais, incluindo consultas
com nutricionistas e endocrinologistas" |
Indicada no tratamento de obesidade
mórbida, procedimento tem sido cada vez mais procurado por
adolescentes que sofrem bullying. Pesquisa diz que 30% dos estudantes
já foram vitimas dessas agressões |
A população jovem brasileira está engordando. Dados
da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE,
referente aos anos de 2008 e 2009, mostram que 21,7% dos jovens entre
10 e 19 anos estão acima do peso e mais de 30% das crianças
entre 5 e 9 anos apresentam excesso de peso.
Com o crescimento da obesidade nas crianças e jovens, cresce também
os casos de bullying, que são caracterizados por agressão
física ou moral que um indivíduo ou um grupo praticam contra
outras pessoas. De acordo com a pesquisa do IBGE, 30% dos estudantes brasileiros
já foram vítimas dessas agressões.
Esse fato coloca o bullying como um dos principais motivos dos adolescentes
para buscar a cirurgia bariátrica como tratamento para a obesidade.
No ano de 2009, de acordo com os últimos dados divulgados pela
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
(SBCBM), foram realizadas no país 1,5 mil cirurgias em pacientes
com menos de 20 anos, representando 5% do total de cirurgias realizadas
em 2009. “A legislação brasileira só permite
a cirurgia após os 16 anos ou esses números seriam maiores
ainda. Muitos chegam ao consultório contando o preconceito que
sofrem por serem obesos e acham que a cirurgia é a única
solução, mas é preciso muita cautela e o paciente
deve ser muito bem avaliado pela equipe clínica”, diz o cirurgião
membro titular da SBCBM, Dr. Roberto Rizzi.
Preconceito
Mesmo com o assunto na mídia e diversas campanhas para acabar com
o bullying e também reduzir o preconceito com os obesos, uma recente
pesquisa realizada pelo HCor - Hospital do Coração - que
entrevistou 600 pessoas no Rio de Janeiro e São Paulo - revelou
que 50% da população não casaria com uma pessoa obesa
e 81% dos entrevistados afirmam que a obesidade interfere na ascensão
profissional. “Essa é a realidade que vemos no consultório.
Muitos jovens obesos que procuram a cirurgia bariátrica têm
a vida social e profissional estagnada, muitas vezes por vergonha e por
não querer enfrentar o preconceito que realmente existe na nossa
sociedade”, destaca Dr. Rizzi.
Apesar da idade mínima, a cirurgia bariátrica só
pode ser indicada no tratamento de pacientes com IMC (Índice de
Massa Corpórea - peso dividido pela altura ao quadrado) acima de
40. “A cirurgia bariátrica não é uma cirurgia
estética. O paciente precisa passar por um amplo acompanhamento
e já ter tentado perder peso pelas formas tradicionais, incluindo
consultas com nutricionistas e endocrinologistas. Para pacientes com IMC
entre 35 e 40 a cirurgia é liberada para casos com doenças
relacionadas à obesidade, como diabetes e hipertensão”,
conclui Dr. Rizzi.
Artigos relacionados - clique no título
|